Correspondente Médico: Por que algumas pessoas rejeitam vacinas?

O novo coronavírus já matou mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo. No Brasil, mais de 150 mil vidas foram perdidas na pandemia

Da CNN*
14 de outubro de 2020 às 10:38

Na edição desta quarta-feira (14) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocientista Fernando Gomes explica por que algumas pessoas rejeitam tomar vacinas, quais as origens possíveis desse fenômeno e por que se trata de um receio infundado.

Gomes aponta dois fatores: o medo de eventual efeito colateral e o que ele classifica como um receio de um domínio populacional. "O medo seria esse, mas não tem fundamento, porque as vacinas que estão disponíveis foram testadas e são seguras. Esse receio também é outro medo infundado", assegura. 

As vacinas, segundo o médico, são assunto de "conhecimento médico, qualidade de vida e longevidade", que permitiram o aumento da expectativa de vida, pois a imunização reduziu o número de morte de crianças por doenças consideradas banais.

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Arte explica a ação da vacina no organismo
Foto: CNN Brasil (14.out.2020)

"Não tem sentido. O movimento [antivacina] não tem embasamento científico e acaba sendo quase que um atentado contra a humanidade", considera.

Contra desinformações sobre o processo que a vacina realiza no corpo, Gomes aponta que a quantidade de vírus utilizada na composição do imunizante é irrelevante para causar risco da doença, mas suficiente para estimular que o organismo gere anticorpos. 

"Aconteceu que, quando a pessoa entra em contato com esse vírus ou bactéria pela segunda vez, ela já tem esse anticorpo produzido, porque já foi estimulado pela vacina. O anticorpo bloqueia o trabalho do vírus ou da bactéria, dando força para que as células de defesa do corpo consigam atuar", explica.

Desinformação

Fernando Gomes explica segurança de vacinas e fala sobre o papel das redes sociais na disseminação de informações corretas
Foto: CNN Brasil (14.out.2020)

Nessa terça-feira (13), o Facebook anunciou que vai banir qualquer propaganda que busque desencorajar a vacinação. A rede social afirma que o objetivo é ajudar que mensagens sobre segurança e eficácia de vacinas alcancem um grupo amplo de pessoas, ao mesmo tempo em que proíbe informações falsas que atrapalhem esforços de saúde pública.

Para o médico, a decisão da rede social foi acertada. "A gente sabe que existe toda uma preocupação com a liberdade de expressão, só que existem evidências científicas que são contundentes", afirma. "E a partir do momento em que temos o nosso planeta organizado com mais de 7 bilhões de pessoas e o conhecimento para evitar a manifestação de doenças que, inclusive, matam, não tem sentido [não tomar vacina]", acrescenta.

Gomes frisa que, muitas vezes, a informação tem sido passada por meio das plataformas em momentos de entretenimento. Por isso, ele classifica como "madura" a decisão de banir esse tipo de conteúdo que gera desinformação sobre a imunização contra a Covid-19.

O novo coronavírus já matou mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo. No Brasil, mais de 150 mil vidas foram perdidas na pandemia. Os casos são mais de 5 milhões em todo o país.

Em nota, o Facebook informou que "a pandemia de Covid-19 destacou a importância de comportamentos preventivos de saúde". "Continuaremos apoiando os esforços de vacinação para ajudar os usuários a se manterem saudáveis e seguros", declarou a rede social.

Em cooperação com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com o Centro para Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, a plataforma já proíbe propagandas com notícias falsas sobre imunizações.

O Facebook informa que as novas regras devem começar a valer nos próximos dias. Campanhas contra a ou a favor, leis ou políticas públicas relacionadas à vacinas, incluindo a de Covid-19, ainda serão permitidas.

(*Com informações de Henrique Andrade e Anna Satie, da CNN, em São Paulo)