Covid-19: Médico diz que RJ é o estado mais preocupante em possível 2ª onda


Da CNN
18 de outubro de 2020 às 13:19

Enquanto países europeus registram aumento no número de casos e mortes por Covid-19, a situação do Brasil está mais estabilizada. A avaliação é do infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz. Em entrevista à CNN, ele afirmou que o estado do Rio de Janeiro é o mais preocupante em relação à uma eventual segunda onda da pandemia.

"O caso do Rio é especialmente preocupante porque não acho que eles estão se preparando adequadamente para a segunda onda, assim como a população também não tem uma adesão adequada [às medidas preventivas]", apontou.

Desde o início do isolamento social, o governo do Rio de Janeiro teve dificuldades em afastar a população das praias, especialmente em dias quentes. Para Croda, a falta de isolamento social e os problemas estruturais na rede pública de saúde podem colocar o estado em alerta em caso de aumento expressivo de novas infecções por Covid-19.

"O Rio de Janeiro viveu crises na saúde muito intensas, com desvios importantes de recursos e isso fez com o que estado tivesse a maior letalidade entre todos do país. O Rio sofreu tanto quanto o Amazonas, Pará e Ceará", ressaltou o infectologista.

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Segunda onda no Brasil
A situação do Rio de Janeiro não se reflete no restante do Brasil, lembrou Julio Croda. De acordo com ele, a situação epidemiológica do país não deve ser comparada com a da Europa, que fez lockdown em diversos lugares logo no início da pandemia.

Se houver uma nova onda de casos no Brasil, o médico disse que o país está mais preparado para contê-la.

"Nós ainda vivemos a passagem da primeira onda, enquanto a Europa está na segunda. Nesse momento, não existe nenhuma indicação de medidas mais restritivas no Brasil porque nós temos tantos casos como óbitos descendentes e número de leitos de terapia intensiva adequados para todas as regiões do país."

"Essa segunda onda pode acontecer no Brasil, mas teoricamente estamos mais preparados para isso. A população está mais consciente com as medidas preventivas, mas é importante que o poder público monite a adoção delas. Para que a gente não volte atrás nas medidas de flexibilização, precisamos da colaboração de toda a população", reforçou.

(Edição: André Rigue)