Coronavac: OMS diz que suspensão de testes clínicos é comum

Órgão diz que interrupções fazem parte da 'prática rigorosa e rotineira' para investigar segurança de vacinas potenciais

Carolina Figueiredo*, da CNN em São Paulo
10 de novembro de 2020 às 21:01
Frasco de potencial vacina contra Covid-19
Foto: Dado Ruvic/Reuters (3.nov.2020)

 

A Organização Mundial da Saúde afirmou, nesta terça-feira (10), que a suspensão de testes de vacinas contra a Covid-19, como a ocorrida com a Coronavac, são comuns durante avaliações de segurança e fazem parte de uma "prática rigorosa e rotineira" para investigar a segurança de potenciais imunizantes. 

Na noite de segunda (9), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a suspensão da fase 3 dos estudos da Coronavac após a morte de um voluntário. A potencial vacina contra o novo coronavírus é desenvolvida pelo Instituto Butantan, do governo de São Paulo, em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac.

"Temos prazer em ver medidas tomadas para garantir a integridade científica dos testes e o cumprimento das diretrizes e regras padrão para o desenvolvimento de vacinas", diz a OMS em nota. 

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Sem entrar no mérito das acusações de politização feitas pelo governo de São Paulo, a organização diz que autoridades nacionais e a Sinovac são quem devem responder sobre o processo de testagem dos voluntários, e afirma que continua a recomendar a adesão estrita aos protocolos de testes estabelecidos em todas as vacinas para garantir a segurança dos voluntários e a eventual eficácia dos imunizantes. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a morte do voluntário da Coronavac é investigada como suicídio, o que não teria relação com o efeito da vacina.

A Anvisa defende a suspensão dos testes e diz que a decisão foi técnica. A autorização de retorno dos testes clínicos, que segue sem previsão, cabe à agência, e nenhum voluntário poderá ser vacinado enquanto a suspensão estiver em vigor. 

Já o Instituto Butantan informou ter sido 'surpreendido' com a notícia de interrupção, e o diretor Dimas Covas questionou a forma como a Anvisa suspendeu o andamento dos testes.