Brasil perdeu um quinto do estoque de sangue em um ano, diz Saúde

Levantamento da CNN mostra que doações caíram mais de 11% nos primeiros nove meses do ano no país

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
26 de novembro de 2020 às 21:25
Doação de sangue caiu mais de 11% nos primeiros 9 meses de 2020
Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Os estoques nacionais de hemocomponentes, substâncias derivadas do sangue colhido de doadores, caíram em torno de 20% ao longo de um ano, afirma o Ministério da Saúde em posicionamento enviado à CNN nesta quinta-feira (26).

A redução leva em conta o estoque registrado em outubro de 2020 com o que se verificava em outubro de 2019.

"Uma das causas foi a menor circulação de pessoas por conta da pandemia", afirma o governo federal, corroborando levantamento da CNN revelou que as doações de sangue caíram mais de 11% nos primeiros nove meses deste ano.

O número de doações registradas entre janeiro e setembro, ainda de acordo com os dados colhidos pela CNN no sistema federa DataSUS, é o menor desde o início da série histórica, em 2008.

Diante das dificuldades colocadas, o Ministério da Saúde afirma que "acompanha diariamente o quantitativo de bolsas de sangue em estoque nos maiores hemocentros estaduais, estratégia que permite uma possível antecipação na tomada de decisão."

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Ainda de acordo com o posicionamento do governo federal, foi acionado o Plano Nacional de Contingência do Sangue, que remaneja hemocomponentes de estados mais abastecidos para outros cujos estoques estejam em situação de risco.

O maior desafio, de acordo com o Ministério, é que não há um substituto para o sangue. 

"O consumo de sangue é diário e contínuo no tratamento de anemias crônicas, em cirurgias de urgência e eletivas, em acidentes que causam hemorragias, nas complicações da dengue, febre amarela, tratamento de câncer e outras doenças graves", completa o governo.