Mortes por Covid-19 fora de leitos de UTI somam 5.636 casos no RJ

Secretário de Saúde fluminense alegou que filas sempre existiram no estado e questionou levantamento

Thayana Araujo e Pauline Almeida, da CNN, no Rio de Janeiro
10 de dezembro de 2020 às 14:42 | Atualizado 10 de dezembro de 2020 às 17:16

 

Mais de 5 mil pessoas morreram fora de leitos de UTI no estado do Rio de Janeiro até o mês de novembro, segundo um levantamento divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz. A nota técnica chama a atenção para os problemas no atendimento de saúde e os efeitos para a população. Já o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, na manhã desta quinta-feira (10), criticou o levantamento e afirmou que as filas por vagas na rede de saúde fluminense sempre existiram. 

Em tom de desabafo à CNN, o secretário afirmou que não adianta os pesquisadores lhe atirarem “farpas”. “Não me chamaram para participar do levantamento. Sempre houve déficit de leitos no estado e isso não é novidade”, declarou.  

Chaves também disse que a pandemia do novo coronavírus desnudou a precariedade da saúde no estado, que se estende há anos, e que as filas não são uma novidade trazida pela pandemia. 

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A nota técnica foi divulgada pela Fiocruz nessa quarta-feira (9) e indica que 5.636 pessoas com Covid-19 morreram fora de leitos de UTIs no Rio de Janeiro - 4.774 na região metropolitana e 862 no interior. O número representa 30% dos óbitos registrados no estado até novembro.

Já as mortes em leitos de UTI somam 49% dos casos, num total de 9.270, sendo 7.588 na região metropolitana e 1.682 no interior. Outros 21% dos óbitos não tiveram informações divulgadas. 

O documento ganhou o nome de “O fim do ciclo de interiorização, a sincronização da epidemia e as dificuldades de atendimento nos hospitais”. Nele, a Fiocruz indica uma preocupação nacional com os efeitos sobre a alta nos casos de coronavírus no interior e nas regiões metropolitanas, ao mesmo tempo, com uma possível sobrecarga em toda a rede de saúde brasileira. 

No início da pandemia, em várias regiões do Brasil, a ocupação dos hospitais se deu primeiro na região metropolitana e depois seguiu para o interior, especialmente onde houve bloqueio efetivo das grandes cidades, o que permitiu um planejamento para atender a população. 

Já no caso específico do Rio de Janeiro, e também de Pernambuco e Amazonas, a Fiocruz aponta que os casos cresceram de maneira abrupta, com uma difusão acelerada pro interior, o que dificultou o acesso a leitos de UTI. E a situação poderia ser pior, segundo a nota técnica. 

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“O interior apresenta maior número de óbitos dentro de uma UTI, muito provavelmente por conta do deslocamento temporal da curva de casos. Em outras palavras, se a doença tivesse ocorrido de forma sincronizada em todo o estado, o volume de óbitos sem atendimento em uma UTI seria consideravelmente maior", descreve o documento. 

O secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, informou que conseguiu a abertura de 50 novos leitos para esta quinta-feira no Hospital Federal do Andaraí. “Ainda não é suficiente, sabemos disso”, ponderou. 

Apesar de ter a responsabilidade de ordenar a rede de saúde no estado, Chaves fez um apelo pela criação de novas vagas por meio da articulação e resolução de problemas nos municípios. “Precisamos de ajuda e abertura de leitos”, disse.