Aprovação emergencial nos EUA deve acelerar aceitação da Anvisa, diz virologista

Rômulo Neris faz a ressalva de que a Anvisa é independente, "mas de fato aumenta a credibilidade de uma vacina que até agora tem se mostrado segura"

Da CNN, em São Paulo
13 de dezembro de 2020 às 12:14 | Atualizado 13 de dezembro de 2020 às 12:44

 

A distribuição das primeiras doses da Pfizer/BioNTech começou a ser feita nos Estados Unidos neste domingo (13). A aplicação das doses começarão nesta semana dando prioridade para os profissionais de saúde e moradores de lares de idosos. A CNN Brasil é a única do país a transmitir as imagens da distribuição das doses da vacina, captadas pela CNN americana. 

Após a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora norte-americana, ter aprovado o uso emergencial da vacina, abriu-se a discussão de como este anúncio pode impactar a liberação da vacina da Pfizer no Brasil.

O virologista Rômulo Leão Silva Neris, que conversou com a CNN neste domingo (13), acredita que as discussões em torno de uma aprovação emergencial devem acelerar a aceitação da Anvisa, mas faz uma ressalva:

"A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) é autônoma. Ela não depende da decisão de outros órgãos internacionais para tomar as suas decisões, mas de fato aumenta a credibilidade de uma vacina que até agora tem se mostrado segura e que os dados divulgados, até agora, também demonstram a sua eficácia", diz.

O virologista Romulo Leão Silva Neris (13 dez. 2020)
Foto: Reprodução / CNN

O virologista lembra que, para atender toda a população, o Brasil precisa da aprovação de diversos tipos de vacina. E, segundo ele, outros países também estão trabalhando dessa forma.

Quanto à ordem da aprovação das vacinas no Brasil, Neris explica que a decisão depende da revisão dos dados que são enviados pelos próprios laboratórios às agências reguladoras.

Leia e assista também:

Governo entrega ao STF plano nacional de imunização
Veja quais são as fases de distribuição da vacina de acordo com plano do governo
Coronavac está entre vacinas "candidatas" em plano de imunização do governo

"As vacinas que a gente têm em fase 3 já tiveram os seus dados de segurança publicados. Então, não há qualquer questão adicional de segurança que precise ser esclarecida. A gente já sabe que a vacina de Oxford, da AstraZeneca, é segura. A gente sabe que a Coronavac, da empresa Sinovac, é segura — assim como a vacina da Pfizer também é segura."

Os documentos que restam para submissão de outras vacinas para a Anvisa são os dados de eficácia, que são disponibilizados conforme os pesquisadores terminam suas análises.

"O Instituto Butantan, em parceria com a Sinovac, afirmou que deve submeter esses dados já na semana que vem. Se estes dados de eficácia forem robustos e bem consolidados, não é problema a aprovação de uso emergencial desta vacina para distribuição, mesmo antes de outros países, ou juntamente com outros países", afirma o virologista.