Epidemiologista citada no Plano de Imunização diz que não acessou documento

Pesquisadora discorda do grupo prioritário definido pelo plano e defende que toda a população vulnerável seja incluída como prioridade

Mariangela Castro*, da CNN, em São Paulo
13 de dezembro de 2020 às 16:55 | Atualizado 13 de dezembro de 2020 às 17:08

 

A epidemiologista e professora da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) Ethel Maciel falou nesse domingo (13) à CNN a respeito da inclusão de seu nome e do nome de outros pesquisadores no Plano Nacional de Imunização enviado no último sábado (12) ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo Ministério da Saúde. Segundo ela, os pesquisadores foram surpreendidos por essa ação, uma vez que o acesso que tiveram ao documento foi através da imprensa.

“A palavra escrita em cima de nossos nomes é de elaboração, como se tivéssemos produzido este documento. Deveríamos ter tido a possibilidade de poder opinar”, afirmou a pesquisadora em entrevista à CNN.
 
A especialista afirmou que a principal discordância entre os pesquisadores e o Ministério da Saúde é a respeito da formação do grupo de prioridade para a vacina. De acordo com Maciel, algumas populações que também são vulneráveis deveriam estar incluídas. 

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“O governo deve se responsabilizar por fazer a negociação das doses necessárias para cobrir toda a população vulnerável. Enviamos, inclusive, um documento técnico ao ministério explicando porque cada grupo deveria ser incluído”, afirmou. 

De acordo com a professora, o grupo de pesquisadores consultado não pode referendar o plano final enviado ao STF, que se baseia no número de doses negociadas até então. Ela defende que o governo esclareça como será feita a negociação pelas doses necessárias e que todos os grupos de vulnerabilidade constem no Plano Nacional. 

“A gente não podia imaginar que esse documento já seria enviado ao STF com os nossos nomes constando como elaboradores sendo que discordamos destes princípios fundamentais”, diz.

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Entre as populações que não foram mencionadas como prioridade no documento, estão as pessoas privada de liberdade e trabalhadores essenciais. Vale ressaltar que o atual plano engloba trabalhadores de presídios, mas não engloba os presos. 

A respeito do desafio de logística no transporte da vacina, Maciel também defende que deve haver negociação com todas as opções de imunizantes. Para ela, as opções de compra não devem ser limitadas por dificuldades internas de logística, e cabe ao governo criar as estruturas necessárias.

(*com supervisão de Daniel Fernandes)

A epidemiologista Ethel Maciel falou sobre os pesquisadores no Plano Nacional de Imunização
Foto: Reprodução / CNN