Epidemiologista: Presidente não pode ser irresponsável e tem que dar o exemplo

Carla Domingues, ex-coordenadora do programa Nacional de Imunizações, afirmou à CNN que postura de Jair Bolsonaro não contribui para o combate à pandemia

Da CNN, em São Paulo
16 de dezembro de 2020 às 10:01 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 10:31



Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (16), a epidemiologista Carla Domingues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deveria incentivar a população a tomar a vacina contra a Covid-19. Ela também avaliou que a atual postura, levantando dúvidas sobre a eficácia e segurança do imunizante, não contribui para o combate à pandemia.

"Um presidente tem que ser o líder da nação, tem que dar exemplo e estimular a população a ser vacinada. Não necessariamente precisa receber a vacina, mas tem que falar da importância da vacinação, estimular a população a ser vacinada, dizer que a vacina adquirida pelo Ministério da Saúde passou por todos os processos de controle de qualidade, que é eficaz e trará benefícios à população", explica.

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"É lamentável também essa postura do presidente de querer se eximir de qualquer responsabilidade enquanto agente público. Quando o presidente coloca que há necessidade de assinar um termo de responsabilidade, ele está colocando em dúvida a credibilidade daquele produto. Isso nunca foi feito, nem no Brasil, nem no mundo", comentou.

"Ao invés de estimular a vacinação, ele está colocando a vacinação como um possível problema. Temos visto o presidente estimular o uso da cloroquina: efetivamente não há nenhuma evidência que essa medicação traz benefício para evitar um controle da Covid-19 e evitar que as pessoas adoeçam, e ele não pediu para assinarem um termo de responsabilidade. Parece que o presidente não trabalha e não avalia a questão da evidência científica nas recomendações do que ele fala", argumenta a epidemiologista.

Em entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band, Bolsonaro reafirmou que não irá tomar a vacina contra o novo coronavirus. "Eu não vou tomar vacina e ponto final. Minha vida está em risco? O problema é meu". O presidente, no entanto, afirmou que irá autorizar a compra de todos os imunizantes que forem aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em julho, Bolsonaro testou positivo para o coronavírus.