Uruguaio que ajudou país a controlar Covid-19 é eleito em 'top 10' da Nature

Uruguai registrou menos de 100 mortes pela doença; virologista Gonzalo Moratorio é o único latino-americano de lista

Raphael Coraccini, colaboração para a CNN Brasil
16 de dezembro de 2020 às 15:28 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 15:29
Foto: Divulgação/Institut Pasteur de Montevidéu


O virologista uruguaio Gonzalo Moratorio, de 38 anos, foi escolhido pela revista Nature como um dos 10 cientistas mais importantes de 2020. Ele foi considerado o principal responsável pelo sucesso da contenção do coronavírus no seu país, que deixou menos de 100 mortos em uma população de 3,5 milhões de pessoas.

Moratorio é o pesquisador responsável pela criação dos testes RCPs que permitiram ao país realizar a testagem em massa ainda no começo da pandemia. Os testes dispensam os equipamentos de farmacêuticas para leitura do resultado, o que barateou e acelerou a aplicação. Os RCPs uruguaios são para todos os tipos de equipamentos e gratuitos para a população porque foram financiados com dinheiro público.

A estratégia exitosa de testagem do Uruguai passou por distribuir testes em grande número nas regiões de fronteira, especialmente com o Brasil, apontado por Moratorio como o de maior potencial infeccioso da América do Sul.

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Ao todo, o Uruguai aplicou 500 mil testes, sendo que 30% disso, 150 mil, foram possibilitados pela tecnologia desenvolvida por Moratorio e sua equipe. Esses testes foram amplamente usados ainda maior no início da pandemia, quando as tecnologias disponíveis eram limitadas e a falha em um programa de testagens poderia fazer os casos explodirem.

A pesquisa de Moratorio sobre virologia tem 15 anos. Ele é doutor em biologia celular e molecular pela Universidade da República do Uruguai, em Montevidéu, e pós-doutor pelo Laboratório Marco Vignuzzi do Departamento de Virologia do Instituto Pasteur, de Paris.

Dos 10 cientistas reconhecidos pela Nature em 2020, sete tiveram algum tipo de envolvimento com pesquisas relacionadas à Covid-19 ou controle da pandemia, como Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, e Anthony Fauci,  diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA.

A publicação também destaca Kathryn Jensen, cientista que liderou alguns esforços de criação de uma vacina contra a Covid-19, Zhang Yongzhen, o primeiro pesquisador a sequenciar o genoma do novo coronavírus e Li Lanjuan, epidemiologista que desenhou o lockdown em regiões da China - incluindo a província de Wuhan, onde o vírus foi primeiro detectado.

A lista de 10 cientistas que ajudaram a moldar a ciência em 2020 são Verena Mohaupt, que liderou uma pesquisa em campo no Ártico; Adi Utarini, que desenvolve técnicas para combater doenças transmitidas por mosquitos (em especial a dengue), e Chanda Prescod-Weinstein, física que estuda cosmologia e os mistérios da matéria negra no universo.

(Com informações de Luana Franzão)