Sem coronavac, plano prevê imunizar 0,6% da população contra a Covid até março

No Brasil, o público que precisa ser imunizado contra o coronavírus chega a 148 milhões de pessoas

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
16 de dezembro de 2020 às 22:40 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 23:38

 

O plano divulgado pelo governo federal prevê imunizar apenas 0,6% da  população brasileira até março, revela análise feita pela CNN. Essas pessoas seriam atendidas com 2 milhões de doses vacina da Pfizer, a única empresa que garante alguma entrega no primeiro trimestre. 

No Brasil, o público que precisa ser imunizado contra o coronavírus chega a 148 milhões de pessoas, excluindo crianças, adolescentes, gestantes e outras contradindicações. As vacinas geralmente são administradas em duas doses.

Assista e leia também

Em memorando, ministério pede dados ao Butantan antes de acerto sobre vacina

Após críticas, Saúde amplia grupo prioritário e tira nomes de técnicos do plano

Por enquanto, o ministério da Saúde incluiu quatro vacinas no plano: Pfizer, Astrazeneca, Jassen (que pertence a Jonhson & Jonhson) e o consórcio Covax. Para as três primeiras, o plano prevê quantidade de doses e prazos. Ainda não há prazos para a entrega dos imunizantes dentro do consórcio Covax. 

Conforme o plano divulgado, a imunização no país seria ampliada apenas a partir do segundo trimestre do ano, com o início da entrega das vacinas da Astrazeneca. O plano prevê a entrega de 100,4 milhões de doses dessa vacina até julho.

Junto com mais uma remessa da Pfizer e a primeira entrega da Jassen, a imunização chegaria a outros 33% da população brasileira para os quais a vacina é indicada.

Os números evidenciam a dependência do Brasil da vacina da Astrazeneca/Fiocruz, que, com 210,4 milhões de doses previstas, representa 58% do total garantido pelo país. O consórcio Covax fica com outros 11,8%, enquanto as vacinas da Pfizer e a da Jassen responderiam por 19,4% e 10,5%, respectivamente.

Vale ressaltar que as vacinas da Astrazeneca e do consórcio Covax já foram encomendadas pelo ministério da Saúde, caso sua eficácia e segurança sejam certificada pela Anvisa. As negociações com a Pfizer e com a Jonhson & Jonhson ainda prosseguem.

A imunização no país teria mais uma pequeno avanço no terceiro trimestre, mas é apenas no fim do ano que a vacina contra o coronavírus chegaria a cerca de 50% da população brasileira. Isso porque o plano prevê a entrega de mais de 110 milhões pela Astrazeneca até dezembro, graças ao início da fabricação da vacina pela Fiocruz no Rio de Janeiro.

Outras vacinas estão previstas no plano, mas sem qualquer detalhamento. Existe uma expectativa de que o Ministério da Saúde feche um acordo nos próximos dias para a aquisição da Coronavac, vacina da chinesa Sinovac e do Instituto Butantã.

Se isso ocorrer, serão acrescentadas mais 46 milhões de doses de vacina ao programa nacional de imunização. Parte desse total seria entregue nos primeiros meses do ano.