Brasil tem ao menos 501 suspeitas de reinfecção por Covid-19

Infectologista Fernando Bellissimo diz que pequenas mutações no coronavírus podem causar as novas contaminações

Da CNN, em São Paulo
20 de dezembro de 2020 às 14:40 | Atualizado 20 de dezembro de 2020 às 14:45

 

O Ministério da Saúde afirma que o Brasil tem, ao menos, 501 casos de reinfeção pelo novo coronavírus em investigação. Somente dois foram comprovados até agora.

Em Natal, Rio Grande do Norte, foi confirmado o primeiro caso de reinfecção pela Covid-19. O segundo registro foi contabilizado em Fernandópolis, interior de São Paulo.

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O infectologista Fernando Bellissimo, coordenador dos estudos sobre reinfecção na Faculdade de Medicina da USP, conversou com a CNN, neste domingo (20), sobre o assunto.

"Assim como as pessoas têm impressões digitais diferentes, vírus de uma mesma espécie têm pequenas variações de antígenos", diz.

Bellissimo explica que os vírus, ao se multiplicarem, sofrem mutações e, por isso, estas linhagens diferentes aparecem. A taxa de mutação do novo coronavírus é menor que a da gripe (Influenza), mas ele não permanece o mesmo para sempre.

"O vírus que hoje está circulando na maior parte do mundo já difere um pouco daquele que foi isolado lá na China, em Wuhan, no final do ano passado [2019]".

Atualmente, há duas hipóteses para os casos de reinfecção pelo novo coronavírus.

"A hipótese mais plausível e que eu acredito que seja a mais provável, é a de que a imunidade induzida pela infecção não seja duradoura. Então, a gente já sabe que dois, três meses após a primeira infecção, a concentração de anticorpos cai muito no sangue". Dessa maneira, segundo o médico, o corpo já estaria suscetível para ser infectado novamente. 

Outro mecanismo possível é que "o vírus acumule tantas mutações que o façam não ser enxergados ou reconhecidos pelo organismo, já que ele teve a experiência anterior com um vírus muito diferente do segundo", comenta Fernando Bellissimo.

(Publicado por: André Rigue)