Termo de responsabilidade sobre vacina dificulta adesão, diz diretor da SBIm

Para Renato Kfouri, o fato de a vacina de Oxford ter sido aprovada em seu país de origem irá facilitar a aprovação em outros países

Da CNN, em São Paulo
30 de dezembro de 2020 às 21:11 | Atualizado 30 de dezembro de 2020 às 22:06

 

O infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, falou, em entrevista à CNN nesta quarta-feira (30), sobre a vacina de Oxford - aprovada hoje no Reino Unido -  e também sobre a ideia de exigir a assinatura de um termo de responsabilidade para receber vacinas da Covid-19 aprovadas para uso emergencial no Brasil.

Na terça-feira (29), a Anvisa flexibilizou dois itens do seu guia para interessados em pedir a autorização para imunizantes: a regra do quantitativo de doses e o termo de consentimento para a vacinação emergencial.

No item que trata do termo de consentimento para a vacinação emergencial, a agência passou a estipular o termo utilizado no Reino Unido como modelo para interessados no registro. O termo é um modelo simples, de apenas uma página e poucos campos a serem preenchidos.

Para Kfouri, porém, o termo pode dificultar o processo de vacinação no país. “A questão da exigência do termo de consentimento vem sendo discutida nas reuniões sobre o Plano Nacional de Imunização. Devemos ter reuniões com a Anvisa sobre o assunto, mas de fato isso dificulta o processo de imunização,” disse Kfouri à CNN.

Leia também:

Anvisa: Pfizer poderá pedir uso emergencial mesmo sem definir número de doses

Após recusar pedidos do STF e STJ, Fiocruz nega ao TST reserva de vacinas

Reino Unido amplia lockdowns ao ver disparada de variante do vírus da Covid-19

"O que alguns países adotam é o termo de recusa de tomar a vacina. Pedir uma aprovação é uma burocracia que atrapalha a adesão da população. Se a Anvisa entender que é necessário, assim o faremos. Mas é algo que pode ser esclarecido para a população sem a necessidade de um termo", complementou o especialista.

O infectologista também respondeu questões sobre a eficácia da vacina de Oxford, e rechaçou a noção de que o índice de imunização de 70% atingido nos testes clínicos de fase 3 são ruins diante de outros imunizantes. 

“Dados de eficácia são importantes, mas é preciso entender que o impacto de uma vacina não é medida só pela eficácia da vacina no estudo. O impacto é medido pelo número de doses, o número de pessoas vacinadas, levando em conta a questão de logística. Uma coisa é a eficácia, outra coisa é o impacto da vacina no programa,” disse Kfouri.

Destaques da CNN Brasil Business:

6 atitudes para avançar na carreira em 2021
Rombo primário em 2020 virá menor em meio à empoçamento de R$35 bi, diz Tesouro
O colapso que Trump previu para Wall Street - e que não aconteceu

O infectologista disse que o fato da vacina de Oxford ter sido aprovada em seu país de origem irá facilitar a aprovação em outros países, e disse que “em breve poderemos ter esta vacina aprovada no Brasil.”

(Publicado por Daniel Fernandes)