Voo comercial espalhou Covid-19 mesmo após realização de testes nos passageiros

Estudo publicado em revista científica aponta que uso de máscaras e luvas não impediu que viajantes fossem infectados

Michael Nedelman, da CNN
06 de janeiro de 2021 às 09:31
Ilustração em 3D mostra formato de partícula do novo coronavírus
Ilustração em 3D mostra formato de partícula do novo coronavírus
Foto: Viktor Forgacs/Unsplash

Sete pessoas de cinco países testaram positivo para a Covid-19 depois de um vôo de 18 horas Dubai para a Nova Zelândia no final de setembro, apesar de terem tomado as precauções necessárias antes do voo, de acordo com um estudo de caso publicado terça-feira (5) na revista científica Emerging Infectious Diseases.

Cinco passageiros testaram negativo vários dias antes do voo, incluindo duas pessoas que estavam na Suíça e que provavelmente levaram o vírus para a aeronave. Os passageiros que posteriormente testaram positivo para a doença estavam em assentos no corredor, em até duas fileiras de distância dos passageiros da Suíça, de acordo com a publicação.

Cinco dos sete passageiros afirmaram ter usado máscara e luvas, que não eram obrigatórios. Após a chegada na Nova Zelândia, foram levados para um centro de quarentena do governo, onde mais tarde descobriram seu diagnóstico. O estudo diz que um dos casos provavelmente foi infectado na durante a quarentena por um membro de sua família.

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O estudo serve como um contraponto preventivo a outras pesquisas, que sugerem que os vírus não se espalham facilmente em aviões por causa da circulação de ar e dos sistemas de filtragem. Os autores do estudo observaram que o sistema que controla o ar da cabine provavelmente seria desligado por cerca de meia hora, durante reabastecimento na Malásia.

Pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos estimam que fazer o teste três dias antes de viajar reduz o risco de propagação do vírus de 5% a 9%. No entanto, o teste no dia da partida pode reduzir esse risco de 37% a 61%, segundo o artigo recente.

A edição de novembro da revista científica também destaca que os exames realizados antes da decolagem "podem não detectar os viajantes infectados que estão em seu período latente, já que não disseminam o vírus em quantidade suficiente para detecção".