Exposição maior de voluntários ao vírus explica eficácia de 50,38%, diz Butantan

Diretor médico Ricardo Palácios afirma que estudos envolveram profissionais de saúde que estavam expostos diretamente ao coronavírus

André Rigue, da CNN, em São Paulo
12 de janeiro de 2021 às 14:07 | Atualizado 12 de janeiro de 2021 às 16:12
Diretor médico Ricardo Palácios, do Instituto Butantan
Foto: Danilo M. Yoshika/Futura Press/Estadão Conteúdo (12.jan.2021)

O diretor médico do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, explicou como foram realizados os testes com a Coronavac, vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac contra o coronavírus que será fabricada em São Paulo. Segundo o diretor, o número de eficácia global (50,38%) ficou abaixo das demais vacinas concorrentes pois os testes foram feitos com “o máximo de estresse possível”.

“Um cientista quer colocar a prova mais difícil possível, porque gera a maior força de evidência. Quando a gente testa uma hipótese, a fortaleza é gerada a partir do tipo de teste que estamos fazendo. Estou comprometido com a saúde pública, e quando me deram a liberdade de fazer o teste, fiz o mais difícil possível”.

Segundo Palácios, o público alvo escolhido pela vacina envolveu profissionais de saúde que têm contato diretamente com o vírus. Por este motivo, o grau de eficácia global foi menor, mas a proteção da vacina sobre o coronavírus pôde ser verificada. Anteriormente, o governo paulista tinha divulgado que a Coronavac protegeu 100% para casos graves e 78% para casos leves.

Resultado de eficácia da Coronavac, vacina produzida pela Sinovac e pelo Instituto Butantan, divulgado nesta terça-feira (12) pelo Governo de São Paulo
Foto: CNN Brasil / Dados do Instituto Butantan

“Não é a vida real exatamente. O que acontece é que fizemos um teste artificial. Selecionamos dentro da população aquela que poderia ser testada com uma taxa mais alta [de exposição]. Se a gente quer comparar os diferentes estudos, é como comparar uma pessoa que fez uma corrida de um quilômetro num trecho plano com uma que fez uma corrida de um quilômetro num trecho com obstáculos”.

Palácios afirmou que o diferencial de ter realizado estudos com profissionais de saúde foi que eles sabem identificar o coronavírus. “As pessoas não só ficavam expostas diretamente, como são profissionais que sabem detectar os sintomas melhor do que uma pessoa da comunidade”.