Não é possível esperar uma decisão burocrática para vacinar, diz Dimas Covas

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, rebateu Pazuello e disse que a vacinação não pode depender de decisões burocráticas

Da CNN, em São Paulo
17 de janeiro de 2021 às 18:21 | Atualizado 17 de janeiro de 2021 às 18:34


Em coletiva de imprensa neste domingo (17), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, criticou a fala do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a respeito de possíveis implicações legais que o estado de São Paulo poderia sofrer por já ter iniciado a imununização contra o Covid-19. 

 "Não é possível do ponto de vista da ética médica esperar que haja uma decisão burocrática para esperar que a vacinação seja iniciada", disse Covas. 

"Eu respeito muito o general Pazuello, mas como todo soldado, ele foi preparado a vida inteira para matar. Ao contrário de quem trabalha na saúde, nós fomos preparados a vida inteira para salvar vidas."

Quantidade de vacinas 

Covas afirmou também que a quantidade de vacinas destinada para o estado é de 1.357.640, enquanto o Ministério da Saúde vai receber 4,636 milhões de doses para os demais Estados do Brasil. O número leva em conta o critério de proporcionalidade estabelecido pelo órgão executivo federal.

"Se exigiu grandes sacrifícios pessoais desse diretor, mas nada importa o que se diz, se comenta, se discute em termos de eficácia, da qualidade da vacina. O que importa é que a vacina está aí e quantidade apreciável de 4.636.936 vacinas estão indo ao centro de logística do Aeroporto de Guarulhos. O Ministério da Saúde nos enviou esse número e assim procedemos", disse o diretor presidente do Instituto Butantan.

"Hoje temos a melhor vacina porque a melhor é a que chega ao braço das pessoas. A única que está sendo produzida e distribuída é combatida pelas mais altas autoridades dessa República. É renegada ao discurso chulo é a que começa a salvar neste País, a que começa a ser aplicada na sala ao lado", afirmou Covas, ao lado do governador João Doria (PSDB).

Para o diretor-presidente do Butantan, a chegada da vacina lança luz à "obscuridade" que acomete o Brasil.

"Permitimos que divisão ocorresse; finalmente chegamos em um momento de luz, que lance luz nesse momento de obscuridade que atinge o País", disse.

Diretor do Instituto Butantan Dimas Covas em coletiva de imprensa
Diretor do Instituto Butantan Dimas Covas criticou o ministro da Saúde Eduardo Pazuello (17.jan.2021)
Foto: Reprodução / CNN


 (Com informações do Estadão Conteúdo)