Veja o que está travando a chegada da vacina de Oxford ao Brasil

Principal aposta do governo federal para imunização contra a Covid-19 já era para estar sendo aplicada no país

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
18 de janeiro de 2021 às 15:51 | Atualizado 18 de janeiro de 2021 às 18:11
Recipientes de vacina de Oxford/AstraZeneca no Serum Institute da Índia
Foto: Francis Mascarenhas/Reuters (30.nov.2020)

Principal aposta do governo federal para imunização contra a Covid-19, a vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a empresa Astrazeneca já era para estar sendo aplicada no Brasil. Mas problemas estruturais e políticos atrasam a importação e a produção, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da vacina no país. Veja algumas perguntas e respostas sobre o tema. 

Por que as doses vindas da Índia ainda não chegaram?

O problema é “político” e da Índia, avaliam participantes das negociações ouvidos pela CNN. O lote é de 2 milhões de doses prontas. O Brasil preparou um avião para ir buscar o imunizante na semana passada, mas a Índia adiou o envio, por ter iniciado a vacinação no país. A previsão dos indianos é de enviar as doses em até duas semanas. Já o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, garante que o lote chegará ao Brasil nesta semana. 

 

Qual a previsão da Fiocruz?

- Apesar da negativa dos indianos em fazer o envio imediato das doses, a Fiocruz mantém a expectativa de receber doses prontas até o fim deste mês. Se baseia, para isso, no fato de fazer parte ao lado do Instituto Sérum de um consórcio de fabricantes de vacinas para países em desenvolvimento. A boa relação entre as instituições foi reforçada neste domingo, em entrevista da presidente da Fiocruz Nísia Trindade à CNN

Por que a Fiocruz ainda não produz a vacina de Oxford no Brasil? 

Falta a “farinha para fazer o pão”, ou seja, o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), a matéria-prima para fazer a vacina no laboratório da Fiocruz. Pelo contrato assinado pela Fiocruz, a instituição terá direito a 100,4 milhões de doses, além da tecnologia para produzir a vacina no Brasil. A primeira data para chegada do insumo era dezembro; passou para 12 de janeiro; agora, não há nenhuma previsão.A responsabilidade por trazer o IFA da China para o Brasil é da Astrazeneca. Pelo contrato, se este insumo não vier,  a empresa deve fornecer doses prontas ao país. 
Procurada pela CNN, a Astrazeneca informou que está trabalhando para liberar os lotes de IFA “o mais rápido possível”, mas não deu data. Com o ingrediente, a Fiocruz prevê produzir 700 mil doses da vacina de Oxford por dia.