Noruega não vê relação entre vacina da Pfizer e morte de pacientes idosos

Idosos e residentes em asilos têm sido os primeiros a receber imunizantes

Amy Cassidy e James Frater, da CNN, em Glasgow e Londres
19 de janeiro de 2021 às 10:59 | Atualizado 19 de janeiro de 2021 às 19:15


Não há correlação entre a vacinação com o imunizante da Pfizer/BioNTech e o aumento do risco de morte de 23 pacientes que tomaram a vacina na Noruega e depois morreram, disseram autoridades de saúde do país nesta terça-feira (19)

As mortes ocorreram seis dias após a aplicação das doses. A Agência Norueguesa de Medicamentos e o Instituto Nacional de Saúde Pública estão investigando as ocorrências.

No momento, não há análises estatísticas que indiquem que a vacinação contra o coronavírus tenha aumentado o risco de morte nos vacinados ”, disse Sara Viksmoen Watle, médica-chefe do Instituto Norueguês de Saúde Pública, em um comunicado.

“O fato de um incidente coincidir com a vacinação não significa necessariamente que a vacina seja a causa do incidente”, disse Watle.

Ela ponderou que não pode se descartar que efeitos colaterais comuns, como dor de cabeça, dores musculares, calafrios, dores nas articulações e febre "podem ter contribuído para um curso mais sério de eventos para alguns pacientes". Entretanto, complementou, as mortes devem ser analisadas no contexto em que ocorreram. 

 

“Para interpretar essas informações, é importante olhar como um todo. Os residentes de asilos correm um risco muito alto de adoecer gravemente ou morrer por causa da Covid-19 e, portanto, têm sido um grupo prioritário para a vacinação ”, disse Watle.

“Uma grande proporção das pessoas que vivem em lares de idosos têm doenças subjacentes graves ou estão nos estágios finais de vida. A expectativa de vida em lares de idosos é relativamente curta, e vemos que, em média, mais de 300 pessoas morrem em lares de idosos noruegueses semanalmente ”, acrescentou ela.

Os efeitos colaterais da vacina são raros e geralmente leves. Mas eles podem incluir febre e náuseas, o que pode ser perigoso em pacientes muito doentes e frágeis.

A Pfizer disse, em comunicado, que estava ciente das mortes relatadas e "nossos pensamentos imediatos estão com as famílias enlutadas". A farmacêutica acrescentou que está trabalhando com as autoridades norueguesas para reunir todas as informações relevantes.

O médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, também disse segunda-feira que as mortes devem ser contextualizadas com a população em que ocorreram.

Fauci disse que entendeu que as fatalidades ocorreram após o reforço da vacina quando há sintomas como dores, febre e mal-estar.

“É concebível que, quando você tem um indivíduo muito frágil, como muitos que estão em lares de idosos, mesmo essa quantidade de estresse para ele pode colocá-lo no topo,” acrescentou Fauci.

Texto traduzido. Clique aqui para ler a tradução.