Reinfecções pela Covid-19 são sinais de medidas insuficientes, diz virologista

Duas pessoas adultas no Brasil foram infectadas ao mesmo tempo por diferentes linhagens do coronavírus

Da CNN, em São Paulo
27 de janeiro de 2021 às 23:36


O virologista e professor Fernando Spilki afirmou, em entrevista à CNN nesta quarta-feira (27), que as reinfecções pelo novo coronavírus indicam que a população não está seguindo as recomendações para conter o avanço da doença no país.

“Nós temos tido ao longo dos últimos meses, nessa segunda onda, um vasto espaço para esse vírus evoluir, fazer mutações e alcançar muitas pessoas. E, na verdade, todas essas linhagens novas que estamos encontrando, e até esse fenômeno de coinfecção, as reinfecções nada mais são do que sinais claros de que efetivamente não estamos tomando as medidas necessárias para evitar que essas linhagens se disseminem”, explicou Spilki.

“Só pelo número de casos crescentes na segunda onda já deveríamos que ter tomado medidas mais bem restritivas ao longo do tempo.”

Cientistas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro identificaram os dois primeiros casos de coinfecção no Brasil. Duas pessoas adultas foram infectadas ao mesmo tempo por diferentes linhagens do coronavírus. 

O trabalho foi realizado pelo Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo (RS) e pelo Laboratório de Bioinformática (Labinfo) do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ).

Durante a entrevista, Spilki, coordenador da pesquisa no Laboratório de Microbiologia Molecular da Feevale, explicou ainda que, até o momento, o desafio para as vacinas não depende do caminho que o vírus segue para evoluir.

“Pode acontecer uma perda ao longo do tempo na eficácia, [mas] não é algo que devemos temer a priori. Pelo contrário, a coisa mais importante para evitar essa diversificação vírus que estamos vendo é justamente entrarmos o mais breve possível com as vacinas e outras medidas que permitam evitar a disseminação dessas linhagens”, afirmou.

“E, ao longo do tempo, nós pesquisadores vamos acompanhando e examinando se está havendo uma perda de eficácia”, acrescentou.

Publicado por Guilherme Venaglia