Pesquisadores da Fiocruz dizem que vacina de Oxford não traz risco a idosos

Alemanha recomendou que o imunizante não seja aplicado em pessoas com 65 anos ou mais; MPF pediu à Anvisa e Fiocruz dados sobre eficácia

Da CNN, em São Paulo
28 de janeiro de 2021 às 22:09 | Atualizado 29 de janeiro de 2021 às 11:03

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entidade ligada ao governo federal parceira da AstraZeneca e da Universidade de Oxford em vacina contra a Covid-19, afirmam que o imunizante é seguro para pessoas acima dos 65 anos.

A Alemanha recomendou nesta quinta-feira (28) que a vacina da Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 não seja aplicada em pessoas com 65 anos ou mais, pois, segundo as autoridades, faltam dados sobre a eficácia da vacina nessa faixa etária.

“O mesmo pacote que é apresentado na Alemanha, é no Reino Unido e no Brasil. Os dados são similares, são do mesmo produto. Existe realmente uma representatividade menor de pessoas acima de 65 anos nos estudos, mas isso não justifica, do ponto de vista de saúde pública, não estender a vacinação para esse grupo”, avaliou Julio Croda, pesquisador da fundação, à CNN.

No Brasil, a subprocuradora-geral Célia Regina Souza Delgado pediu informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre a eficácia da vacina de Oxford em idosos.

A pesquisadora da fundação Margareth Dalcolmo afirmou, em entrevista à CNN, que a recomendação das autoridades alemãs não gera preocupação, e que tanto o imunizante de Oxford como os outros podem vir a ter a mesma observação. 

“O que ocorreu é um fato. Todos esses estudos de fase 3 que foram feitos de início com profissionais de saúde envolveram pessoas na ativa. Portanto, incluiram voluntários na sua fase toda inicial [com] até 55 anos apenas, deixando de incluir o grupo justamente que tem maior letalidade, digamos assim, que é o grupo de pessoas mais velhas”, disse.

“Então o número de pessoas incluídas no estudo é menor do que seria desejável. Por essa razão se infere uma eficácia supostamente menor, o que a nós não preocupa”, afirmou.

Na avaliação de Dalcolmo, inclusive, a decisão da Alemanha "deverá ser revista". “A Inglaterra, por exemplo, vai continuar vacinando [com o imunizante de Oxford], nós [Brasil] também, o resto do mundo todo que usa a vacina de Oxford/AstraZeneca [também].” 

Publicado por Guilherme Venaglia