A quem interessa o enfraquecimento da agência?, questiona presidente da Anvisa

Presidente da agência, Antônio Barra Torres rebateu à CNN as declarações feitas pelo líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR)

Da CNN, em São Paulo
04 de fevereiro de 2021 às 14:13 | Atualizado 04 de fevereiro de 2021 às 14:39


O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, rebateu, em entrevista exclusiva à CNN, as declarações feitas pelo líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Barros ameaçou "enquadrar a Anvisa", dizendo que os diretores estão "fora da casinha" e "nem aí para a pandemia". As falas foram confirmadas à CNN pela assessoria do parlamentar.

"Vejo com muita tristeza [essas declarações] e [Barros] presta um desserviço aos esforços nacionais ao lançar esse tipo de dúvida sobre a agência", disse Torres, "E deixo uma pergunta: a quem interessa o enfraquecimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária?", questionou.

"Fico bastante entristecido por um lado e bastante preocupado por outro porque vem de uma pessoa que conheço pessoalmente. Sempre tivemos uma relação bastante urbana, cordial, e palavras dessa natureza me causam uma estranheza muito grande. Até porque são dirigidas à agência que, hoje, é a mais rápida do mundo em análise de protocolos vacinais", disse ainda o presidente da Anvisa.

Relação da Anvisa com Bolsonaro

Antônio Barra Torres negou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou qualquer ministro da Saúde em sua gestão tenha feito qualquer tipo de pressão à Anvisa, seja antes ou durante a pandemia de Covid-19.

"O presidente da República, Jair Bolsonaro, nunca, em momento algum, exerceu qualquer tipo de pressão sobre a agência. Nunca fez um pedido, nunca disse 'gostaria que aprovasse isso ou aquilo'. E ele é o chefe do Executivo. Nunca fez", afirmou Torres.

"Temos uma interlocução extremamente fluída. Já tinhamos na época do ministro [Luiz Henrique] Mandetta, também do ministro [Nelson] Teich e, agora, com o Pazuello", completou, reiteirando que as relações da agência com membros do governo, até então, sempre foram "republicanas e de cordialidade".

"[Tudo isso] em prol de um objetivo maior, que é tirar o Brasil dessa situação difícil. Então, [a fala de Barros] destoa completamente. É uma nota de um baixíssimo nível que não encontra lugar nos esforços que estamos desempenhando no momento", acrescentou.

"Não temos final de semana, não temos noite, não temos mais nada, porque essa foi a vida que escolhemos", afirmou. "Ninguém nos arrancou de casa para fazer nosso trabalho, mas precisamos ter o mínimo de tranquilidade pra isso."

Anvisa alertou contra o uso de radiação UV para prevenir Covid-19
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 
Foto: Ebc

(Publicado por: Marina Motomura)