Fiocruz tenta aumentar capacidade de produção para compensar atraso de insumo

Informação consta de resposta enviada pela instituição aos questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
15 de fevereiro de 2021 às 15:43 | Atualizado 15 de fevereiro de 2021 às 16:35

Para compensar a demora no recebimento da matéria-prima para produção da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 no Brasil, a Fiocruz avalia alternativas para aumentar sua capacidade produtiva e, assim, conseguir processar até 26 milhões de doses por mês. A informação consta de resposta enviada pela instituição aos questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal, revelados pela CNN na semana passada. Além disso, há uma negociação com a AstraZeneca para tentar compensar os atrasos, que prejudicaram a imunização no Brasil. Pelo plano inicial, era para o país já estar usando 15 milhões de doses do imunizante.

O laboratório Bio-Manguinhos, onde estão sendo produzidas as vacinas, “avalia internamente alternativas para aumentar sua capacidade produtiva, utilizando 2 linhas de envase trabalhando de forma simultânea”. Isso fará, desde que esteja disponibilizado o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), a Fiocruz cumprir a meta de entregar 100,4 milhões de doses para o Ministério da Saúde até o primeiro semestre. 

 

Doses de vacina Oxford/AstraZeneca
Doses de vacina Oxford/AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), chegaram a Curitiba (23.jan.2021)
Foto: CASSIANO ROSÁRIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

 A pedido do MPF, a Fiocruz encaminhou os cronogramas de produção que valiam antes dos atrasos da chegada do IFA ao país. Pronto para ser exportado da China para o Brasil desde o dia 10 de dezembro do ano passado, o insumo só veio para a Fiocruz no dia 6 de fevereiro. O cronograma inicial previa que o IFA já estivesse no Brasil, no mínimo, em janeiro. Sem atrasos, a instituição já estaria produzindo neste mês o segundo lote de 15 milhões de doses da vacina - o primeiro era para ter sido entregue ainda em janeiro. 

No documento enviado ao MPF, a Fiocruz também informa que há “negociação constante”com a AstraZeneca para “compensar o atraso das remessas de janeiro ocorrido em função de problemas de obtenção da licença de exportação junto ao Governo da China”. Faz parte desta negociação, de acordo com a apuração da CNN, a compra de doses prontas da vacina de Oxford via Instituto Serum da Índia. No último dia 12 foi fechada a aquisição de 2 milhões de doses do imunizante, parte de uma negociação que pretende trazer até 10 milhões de doses até o final do mês que vem.