Vacina pode ser adaptada a variantes em 2 meses, diz infectologista da Fiocruz

Resultado preliminar de estudo que testa eficácia das vacinas para a nova cepa de Covid-19 sairá em começo de marco

Produzido por Layane Serrano, da CNN São Paulo
21 de fevereiro de 2021 às 11:29

Em entrevista para a CNN neste domingo (21), o pesquisador da Fiocruz e infectologista Julio Croda disse que, caso fique comprovado que a resposta imunológica ao novo coronavírus foi afetada pelas novas variantes, uma atualização da vacina para que elas se tornem mais eficazes pode ser feita em dois meses. 

“Se precisar fazer qualquer mudança na vacina, essa mudança deve acontecer em dois meses. Todas as adaptações necessárias para que seja incorporado o material genético dessa nova variante na vacina da AstraZeneca e Oxford, ou o vírus inativado desta nova variante na vacina da Coronavac”, afirmou.

 Croda está participando de um novo estudo, realizado em Manaus, onde quase toda a população de profissionais de saúde já foi vacinada, para compreender se houve ou não a preservação da eficácia das vacinas aplicadas. Ele acredita que no começo de março já encontrem os primeiros resultados. 

“Eu estou participando e ajudando um estudo na cidade de Manaus, em parceria com a Secretaria Municipal de Manaus e com a Fundação de Vigilância e Saúde - que é da Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas - para avaliar a efetividade destas vacinas. A gente vai ter algumas respostas no começo de março. A gente espera que a vacina continue efetiva para esta nova variante".

Para isso, eles estaõ organizando bancos de dados de pessoas vacinadas, pessoas que testaram positivo para Covid-19, pessoas que internaram ou morreram e a partir daí, nos próximos meses, a equipe irá monitorar se quem tomou a vacina apresentou maior ou menor risco para a doença. 

"Eu acho que os dados que a gente gerar em Manaus, na prática, vai ser muito importante para todo o Brasil porque se essa variante se tornar predominante, a gente vai saber se a vacina funciona ou não e se a gente pode manter a utilização das vacinas atuais".