Anvisa agiliza a liberação de medicamentos para intubação de pacientes graves

Indústria alerta para colapso causado pelo aumento da demanda e internações em UTIs

Luiza Muttoni e Leandro Resende, da CNN, no Rio de Janeiro
18 de março de 2021 às 22:29 | Atualizado 19 de março de 2021 às 00:46
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19
Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo (10.mar.2021)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai trabalhar para importar mais rápido e com menos burocracia os medicamentos para a intubação de pacientes em estado grave.

A informação foi divulgada durante uma reunião nesta quinta-feira (18) com associações médicas.

Isso porque, com o aumento no número de internações em leitos de UTI em todo o Brasil, a demanda por fármacos que integram o chamado “kit intubação” (como analgésicos, sedativos e bloqueadores musculares) também aumentou, e a indústria brasileira já alerta para um risco de colapso em vinte dias.

Uma fonte da Anvisa informou que, durante a reunião, o setor privado sugeriu como solução para o problema que as unidades particulares poderiam passar a importar os insumos e com isso a produção nacional ficaria para o SUS.

O presidente da Associação Brasileira dos Planos de Saúde (Abramge), Reinaldo Scheibe, ressaltou que o país pode enfrentar um segundo problema: além de mortes causadas por falta de leitos de UTI, mortes por falta de medicamentos para manter os pacientes entubados.

“Nós fomos aumentando o número de leitos [...] só que essa fase da pandemia está fazendo com que as pessoas fiquem mais tempo hospitalizadas, ou seja, estão demandando muito mais medicamentos do que se gastava anteriormente”, diz.

Os medicamentos são necessários, também, para pacientes de urgência e emergência, que não estão com a Covid-19.

“A indústria não está mais conseguindo produzir e nos informa que não tem mais previsibilidade para três meses. E isso é preocupante [...] além dos pacientes da Covid, tem outros pacientes que demandam os medicamentos, pois os acidentes seguem acontecendo, as cirurgias de emergência... você precisa ter soluções com urgência”, afirma.

Scheibe considerou a reunião com a Anvisa “importante” e “produtiva”.

Entre as entidades que participaram do encontro, estiveram a Associação Médica Brasileira, a Associação de Médicos Intensivistas e a Associação dos Hospitais Privados.

Alguns dos Estados que estão com a situação mais crítica são o Rio de Janeiro e Roraima.

Documentos das secretarias estaduais de Saúde levantados pela CNN já alertavam para a possibilidade de faltar medicamentos para a intubação de pacientes em estado grave nas UTIs, e para o consequente aumento dos preços desses fármacos.

As secretarias de Saúde de Roraima e do Rio de Janeiro abriram, nesta semana, processos de compra dos medicamentos que compõem o “kit intubação”, que ainda estão em andamento. 

A Anvisa confirmou a adoção de medidas de flexibilização para que os insumos sejam disponibilizados sem prejuízo de eficácia, qualidade e segurança.

“A Terceira Diretoria se prontificou a receber das entidades as solicitações individuais de serviços de saúde encaminhadas à Anvisa, de forma que possam ser avaliadas com a maior celeridade possível”, informa a nota.

O Estado do Rio está com 80,8% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados, já o município está à beira de um colapso, com 95% de ocupação, sendo 1.190 pessoas internadas e 65 aguardando vaga na fila por leitos.

Além da Capital, 15 municípios estão com taxa de ocupação em leitos de terapia intensiva maior que 90%.

Roraima está com 68% dos leitos de UTI  ocupados e 100% de ocupação dos leitos semi-intensivos.