Após ter dados questionados, AstraZeneca reduz eficácia de vacina para 76%

Eficácia para prevenir quadros graves ou necessidade de hospitalização continua em 100%, segundo o grupo

Maggie Fox, da CNN
25 de março de 2021 às 04:29 | Atualizado 25 de março de 2021 às 11:14

Depois de ser questionada sobre os resultados da eficácia de sua vacina, a gigante farmacêutica AstraZeneca atualizou, nessa quarta-feira (24), os dados sobre o imunizante que produz contra a Covid-19, indicando 76% de eficácia em casos sintomáticos da doença.

Na segunda-feira (21), a empresa havia afirmado que esse número chegava a 79%. A eficácia para prevenir quadros graves ou necessidade de hospitalização continua em 100%, segundo o grupo. 

O Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos disse ter sido notificado pelo Conselho de Monitoramento de Dados e Segurança (DSMB) independente de que os dados do imunizante estavam incompletos. A AstraZeneca divulgou a atualização após o alerta.

"O DSMB expressou preocupação de que a AstraZeneca possa ter incluído informações desatualizadas desse ensaio, o que pode ter fornecido uma visão incompleta dos dados de eficácia", disse o NIAID, que ajudou a AstraZeneca a realizar ensaios nos EUA.

Ainda de acordo com o novo relatório, entre idosos, a vacina chega a 85% na prevenção dos sintomas em voluntários com 65 anos ou mais.

Os números não são muito diferentes dos divulgados na segunda-feira. Novamente, a empresa os divulgou via comunicado à imprensa e não em um relatório revisado por pares ou como uma apresentação formal para revisão da US Food and Drug Administration, agência reguladora de saúde nos Estados Unidos.

"A análise primária é consistente com nossa análise provisória lançada anteriormente e confirma que nossa vacina Covid-19 é altamente eficaz em adultos, incluindo aqueles com 65 anos ou mais. Estamos ansiosos para apresentar nosso pedido regulatório para autorização de uso de emergência nos EUA e seguimos nos preparando para a aplicação de milhões de doses em toda a América", disse Mene Pangalos, vice-presidente executivo de pesquisa biofarmacêutica da AstraZeneca.

Mais de 32 mil voluntários

O ensaio com 32.449 voluntários nos Estados Unidos, Peru e Chile mostrou que as pessoas que receberam a vacina tinham 76% menos probabilidade de apresentar qualquer sintoma de coronavírus em comparação com um terço dos participantes que receberam o placebo. A vacina é administrada em duas doses, com intervalo de quatro semanas.

Como em outros testes de vacinas, a empresa estava procurando ver quantas pessoas vacinadas apresentavam sintomas da Covid em comparação com pessoas não vacinadas.

"Havia 190 casos na análise primária. Há 14 casos adicionais possíveis ou prováveis a serem julgados, então o número total de casos e a estimativa pontual podem flutuar um pouco", disse a empresa.

"A AstraZeneca também enviará a análise primária para publicação revisada por pares nas próximas semanas."

E, como em outros testes de vacinas contra o coronavírus, os voluntários não foram testados regularmente para Covid-19, então não se sabe quantos podem ter contraído infecções assintomáticas.

"Um extremo secundário chave, na prevenção de doenças graves ou críticas e hospitalização, demonstrou eficácia de 100%. Foram oito casos de Covid-19 grave observados na análise primária com todos do grupo de placebo", disse a empresa.

"A vacina foi bem tolerada e nenhuma preocupação de segurança relacionada à vacina foi identificada."

O principal infectologista dos Estados Unidos e consultor da Casa Branca para o combate à Covid-19, Anthony Fauci, chamou a divulgação de dados prematuros da empresa, no início da semana, de "erro não forçado" - um termo esportivo que significa que foi apenas um erro deles.

Ele disse ao Good Morning America da ABC, na terça-feira (23), que a vacina AstraZeneca "é muito provavelmente uma vacina muito boa" e que esta situação não faz nada além de lançar dúvidas sobre as vacinas e talvez contribuir para a hesitação vacinal.

Fauci disse que isso não era necessário e que os dados são "realmente muito bons, mas quando os colocaram no comunicado de imprensa, não eram totalmente precisos".

A AstraZeneca, que desenvolveu a vacina com a Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, tem lutado para a aceitação do imunizante.

Foi a primeira imunização no mundo ocidental, indo para os braços de voluntários em 4 de janeiro.

Mas o desenvolvimento da vacina pela AstraZeneca atingiu vários pontos a partir da notícia de que dois voluntários desenvolveram sintomas neurológicos recentemente. A vacinação foi paralisada em vários países europeus em meio a temores de que ela pudesse ter causado coágulos sanguíneos.

Desde então, a Agência Europeia de Medicamentos disse que não há evidências de que a vacina possa causar coágulos sanguíneos.