Vacina busca amenizar casos, não impedir contaminação, diz infectologista

Alexandre Naime Barbosa, da Unesp, afirma que objetivo primordial dos imunizantes é produzir anticorpos que amenizem quadros da doença

Produzido por Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em São Paulo
03 de abril de 2021 às 23:28 | Atualizado 03 de abril de 2021 às 23:33

O infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe de infectologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), enfatizou em entrevista à CNN que o objetivo de vacinas contra a Covid-19 é permitir a produção de anticorpos que amenizem ao máximo os sintomas em caso de contaminação, não impedir a contração do novo coronavírus.

"A eficácia das vacinas não é em relação à contração do Covid-19, mas sobre não apresentar gravidade", disse o médico, comentando o caso do cantor Agnaldo Timóteo, que morreu neste sábado (3), aos 84 anos, mesmo após ser vacinado contra a Covid-19. Naime Barbosa acredita que ele tenha se infectado entre as doses da vacina, ainda sem a resposta imunológica completa.

O especialista afirma que "nenhuma vacina tem 100% de eficácia" e que eventuais casos de pessoas vacinadas que tenham a doença não anulam o fato de que a vacinação ampla é a melhor forma de combater a Covid-19.

Amazonas

O Amazonas é o estado com a maior taxa de mortalidade por Covid-19 no Brasil. Por lá, 291 pessoas a cada 100 mil habitantes morreu com a doença do novo coronavírus. Depois de passar por duas intensas ondas de casos e de contaminações, o Amazonas passa por uma diminuição de 80% no ritmo das novas mortes.

Na entrevista à CNN, Alexandre Naime Barbosa afirma que os números devem ser vistos com cuidado, uma vez que as primeiras ondas da doença em 2020 tiveram ocorrências semelhantes no estado.

"Esses dados de queda precisam ser olhados com muita cautela", disse Barbosa. "Não significa que a região está fora de perigo."

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Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters