Governadores recorrem à ONU em busca de ajuda humanitária para o Brasil

Governantes pediram a antecipação de remessas de vacinas, oxigênio e medicamentos do kit intubação

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo
16 de abril de 2021 às 18:15 | Atualizado 16 de abril de 2021 às 18:36

O Fórum Nacional de Governadores se reuniu virtualmente na tarde desta sexta-feira (16) com representantes da Organização das Nações Unidas (OMS) para pedir ajuda humanitária ao Brasil no combate à pandemia de Covid-19. Os governadores pediram a antecipação da remessa de vacinas via consórcio Covax Facility, de oxigênio e de medicamentos do kit intubação.

Uma carta assinada pelos governadores de todos os 26 estados e do DIstrito Federal foi entregue à ONU com cinco pleitos:

  1. Ajuda da comunidade internacional para a acelerar o processo de vacinação no Brasil;
  2. Ajuda nas negociações entre Brasil e China para a antecipação da entrega de ingrediente farmacêutico ativo (IFA) a fim de evitar a interrupção na fabricação de vacinas em território brasileiro;
  3. Ajuda na importação de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca, sendo cinco milhões ainda em abril e 3,1 milhões em maio, vindas da Coreia do Sul, da espanha, da Itália ou "de qualquer outro país produtor", além de auxílio para o cumprimentono cronograma de importação de IFA da Índia para produção da vacina no Brasil;
  4. Ajuda para aquisição ou empréstimo de 10 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca dos Estados Unidos;
  5. Ajuda para a obtenção de insumos hospitalares como oxigêncio e medicamentos do kit intubação.
    ONU pode ajudar o Brasil a conseguir antecipação de vacinas
    ONU pode ajudar o Brasil a conseguir antecipação de vacinas
    Foto: Reprodução/ONU

Houve também um pedido para que o Brasil consiga antecipar a transferência de tecnologia de nações produtoras do IFA para que o país consiga produzir localmente o insumo.

"Com isso, o Brasil, com produção de IFA, com transformação de IFA com envasamento no Brasil, tem chance do Brasil não só imunizar os brasileiros como ainda ajudar outros países, a própria OMS", explicou o governador Wellington Dias (PT-PI) em entrevista coletiva posterior ao encontro.

A secretária-geral adjunta da ONU, Amina Mohammed, participou da reunião e ouviu apelos dos governantes, que embora tenham evitado críticas diretas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acusaram a falta de coordenação nacional no combate à pandemia como um problema do Brasil. 

De acordo com o governador do Piauí, Amina Mohammed se comprometeu a trabalhar junto à União Europeia, à China e à Índia para garantir ao Brasil a prioridade de entrega de vacinas e de IFA.

"O Brasil vive uma situação particular, já não é mais um problema só do Brasil", disse Dias. "O Brasil é um fator de risco para o mundo", afirmou. 

Antes da primeira fala do encontro, feita por Dias, foi exibido um vídeo com recortes de reportagens que apontam o Brasil como epicentro global da pandemia. Os governadores lembraram aos representantes da ONU que o país sempre esteve à disposição para missões humanitárias da organização intergovernamental, e que agora é o Brasil quem precisa de ajuda. 

Os governadores se disseram comprometidos um fundamentar um pacto nacional em defesa da vida e da saúde, e ouviram da ONU a necessidade da adoção de protocolos básicos no enfrentamento do novo coronavírus, como o distanciamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos. 

O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), pediu ajuda para a obtenção de mais vacinas e disse temer o eventual impacto de uma nova aceleração de casos de Covid-19 no estado.