'Já temos medicações alternativas à disposição', diz médica sobre kit intubação

Para especialista, esses medicamentos alternativos devem ser utilizadas de forma mais imediata possível

Produzido por Layane Serrano, da CNN Brasil, em São Paulo
17 de abril de 2021 às 11:11 | Atualizado 17 de abril de 2021 às 16:24

 

O conjunto de medicamentos do chamado kit intubação, utilizado para conectar um paciente em estado grave a um respirador, está em falta no Brasil em decorrência da alta incidência de casos de Covid-19 e aumento da ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Diversas cidades do país estão com seus estoques no fim.

A presidente do Comitê de Sedação, Analgesia e Delirium da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Viviane Veiga, afirmou que em 2020 foi publicado um documento que sugere o uso de um grande hall de remédios alternativos e seguros para uso na intubação.

“Em 2020, a AMIB publicou um documento de ampla disponibilização no seu site, de forma gratuita, já com alternativas e, agora, diante deste cenário, nós recentemente, num trabalho conjunto da AMIB com outras sociedades, ampliamos este escopo de sugestões de alternativas de medicações para quem está lá na ponta, beira leito, ter possibilidade de outras medicações de forma segura”, disse.

“Já temos estas medicações alternativas à disposição. Fizemos um hall grande de alternativas para oferecer um espectro mais amplo de possibilidades”, afirma.

Segundo Veiga, a falta destes medicamentos causam um impacto muito grande na condução de casos de Covid-19 que necessitam de respiração mecânica. Por isso, já há relatos de hospitais que estão tendo que manter o tratamento sem o uso dos sedativos que já estão esgotados em algumas localidades.

“Nós temos vários estados com faltas deste medicamento e em estágios bastante críticos. Ainda de uma forma heterogênea, há hospitais com pouco mais de estoque, outros menos. E temos relatos pelo Brasil de pacientes que estão sendo amarrados porque estão com respirador, com ventilação mecânica sem nenhuma sedação. Então, isso é muito grave”, diz.

De acordo com a médica, essas alternativas de medicamentos para intubação devem ser utilizadas de forma mais imediata possível, enquanto o Brasil não consegue disponibilizar os medicamentos que já são habitalmente utilizados.