'Outros remédios podem ser usados na intubação, mas não são o ideal', diz médico

Luis Antonio Diego, da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, diz que revezamento de remédios é necessário para paciente que fica um longo período na UTI

Produzido por Layane Serrano, da CNN Brasil, em São Paulo
17 de abril de 2021 às 10:41 | Atualizado 17 de abril de 2021 às 16:24

Um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios aponta que pode faltar medicamento para intubação de pacientes com Covid-19 em 33% dos municípios consultados. O chamado "kit intubação" reúne três classes de remédios.

"Você precisa ter um relaxamento muscular, que é obtido através dos chamados neuromusculares. É um procedimento doloroso, então você precisa de analgésicos muito potentes, muitos derivados da morfina, que são chamados opioides. E, também, você não vai fazer este procedimento todo com a pessoa consciente. Você tem que dar um sedativo", explica o diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), Luis Antonio Diego.

O médico e diretor da SBA ressalta que é possível, sim, fazer substituições, mesmo que elas não sejam o ideal.

“Na intubação propriamente dita você usa três categorias de medicamento. Uns dos bloqueadores musculares mais usados são os que a gente chama de rocurônio e succinilcolina. E existem outros que também podem ser usados, talvez não da maneira ideal, mas podem ser utilizados.”

 

O especialista explica que à medida que os pacientes internados permanecem mais tempo na Unidade de Terapia Intensiva, o correto é fazer um revezamento dos remédios.

“Para um paciente na UTI, que vai ficar um tempo determinado e, muitas vezes, longo, você tem que fazer rodízio destes medicamentos porque eles vão tendo tolerância, vão atuando negativamente em algum órgão específico. Então, tem que ter opções.”

Luis Antonio Diego, diretor de Defesa Profissional da SBA
Luis Antonio Diego, diretor de Defesa Profissional da SBA
Foto: Reprodução / CNN

No entanto, com a escassez destes insumos, novos protocolos estão sendo feitos a fim de orientar os profissionais em como agir dentro dos hospitais.

“Nós tentamos avaliar dentro da SBA, com os nossos associados, para poder monitorar e orientar qual medicamento que pode ser utilizado numa determinada ocasião. Nós temos todos estes protocolos. (...) As sociedades, em conjunto, fizeram tutoriais”, diz.

“Cada hospital compra um determinado medicamento destas três classes para fazer a intubação, e a equipe está habituada àquele remédio. Quando há desabastecimento, você tem que ter outro que faz o mesmo efeito, só que de outra maneira e com outras propriedades. É como se, de repente, você precisa fazer um doce, precisa usar açúcar e faltou o açúcar refinado, mas você pode ter um açúcar cristal e demerara. Então, você tem que adequar o seu protocolo”, compara.