Correspondente Médico: 'Passaporte da Covid' pode gerar preconceito entre países

Neurocirurgião Fernando Gomes analisa a decisão de Hong Kong, que anunciou que adotará o certificado para provar que o indivíduo foi vacinado

Produzido por Raphael Florêncio, da CNN em São Paulo
28 de abril de 2021 às 08:19

Hong Kong anunciou que vai adotar o chamado “passaporte corona” - prova de que o indivíduo foi vacinado contra o novo coronavírus - para permitir a entrada em estabelecimentos, como bares e restaurantes.

A comprovação poderá ser feita por um aplicativo de celular desenvolvido pelo governo local. Na Dinamarca, o certificado já está em vigor desde a última semana. Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já se posicionou contra a medida.

Na edição desta quarta-feira (28) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes disse que o passaporte pode ser o estopim para a criação de preconceitos com relação às pessoas e até países que ainda não tiveram acesso ao imunizante contra a Covid-19. “A grande preocupação da OMS, acredito, é baseada nisso. É lógico que a situação em que vivemos é crítica, mas [não se pode] exagerar demais e criar um ambiente hostil em relação a isso”, avaliou Gomes. 

Além disso, segundo o especialista, somente o certificado de vacinação não garante o avanço da doença: é preciso que os estabelecimentos continuem seguindo as regras de distanciamento, por exemplo.

“Depois que você toma a segunda dose da vacina, é preciso esperar o corpo reagir e de fato produzir a defesa contra a infecção. O tempo mínimo, segundo trabalhos científicos, é de duas semanas”, explicou o médico.