Importação da Sputnik V foi recusada por 'precaução', diz gerente da Anvisa

À CNN, Gustavo Mendes afirmou que agência não viu 'estudos que mostrem a segurança da vacina' russa

produzido por Rudá Moreira, da CNN em Brasília
28 de abril de 2021 às 22:42 | Atualizado 28 de abril de 2021 às 22:44

O gerente-geral de medicamentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Gustavo Mendes, disse, em entrevista à CNN nesta quarta-feira (28), que a decisão da agência de negar o pedido de importação da Sputnik V se deu pelo “princípio da precaução”.

“A vacina tem potencial de gerar um adenovírus geneticamente modificado, o qual não conhecemos suas reações no corpo humano e nem seus potenciais riscos. Analisamos dados que recebemos da Rússia e não vimos estudos que mostrem a segurança da vacina. O princípio da precaução foi o que nos levou a não recomendar,” disse Mendes à CNN.

A decisão da Anvisa de recusar a importação do imunizante foi tomada com a recomendação de rejeição por parte das três gerências técnicas e o voto unânime dos cinco diretores que compõem a Diretoria Colegiada (Dicol).

O principal ponto citado pelos técnicos da agência foi a identificação do que chamam de "adenovírus replicantes", vírus que poderiam potencialmente se replicar e atingir órgãos e tecidos do corpo.

Após a Anvisa recusar o pedido, o presidente do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), Kirill Dmitriev, negou a existência de adenovírus replicantes, disse que a Sputnik V possui o melhor sistema de filtragem e ocorrência zero de casos de trombose e afirmou que a agência agiu sob uma suposta pressão política dos Estados Unidos.

À CNN nesta quarta-feira, o gerente-geral defendeu o processo de análise da Anvisa, afirmou que os técnicos responsáveis pelas avaliações realizam estas atividades há anos e disse que a posição dos funcionários da agência é estritamente “técnica”.

Butanvac

Gustavo Mendes falou também sobre a Butanvac, vacina brasileira que será produzida pelo Instituto Butantan, que nesta quarta-feira (28) anunciou o início de sua fabricação, mesmo com os testes em humanos não tendo sido iniciados.

O gerente da Anvisa explicou que a agência já está analisando os dados para que a vacina nacional comece a realizar testes no Brasil. “Recebemos o primeiro pedido de início de testes quando anunciaram a vacina, porém a proposta efetiva, com detalhes técnicos da proposta, chegou apenas na sexta-feira (23). Já começamos a analisar o pedido e já emitimos exigências de coisas que não ficaram claras para nós.”

Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa (28.abr.2021)
Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa (28.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN