Especialistas divergem sobre visita de vacinados a internados com Covid-19

A resolução da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro de permitir o encontro durante a internação foi publicada nesta segunda-feira (17)

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
18 de maio de 2021 às 21:43 | Atualizado 20 de maio de 2021 às 15:22
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Decreto libera visita de pessoas vacinadas a pacientes internados com Covid-19 no Rio de Janeiro
Foto: Reprodução / CNN

A decisão de liberar a visita de pessoas vacinadas com as duas doses de imunizantes contra a Covid-19 aos pacientes internados com a doença no Rio de Janeiro dividiu opiniões de especialistas ouvidos pela CNN.

A resolução da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro de permitir o encontro durante a internação foi publicada nesta segunda-feira (17) no Diário Oficial do Município. Além da imunização, o decreto reitera também o uso obrigatório de máscara para entrada nas unidades de saúde.

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo se colocou a favor da liberação de visitas aos pacientes com o novo coronavírus. No entanto, ele disse que medidas de proteção devem ser rigorosamente seguidas.  

“Eu acho importante essa liberação da visita desde que o visitante tenha possibilidade de estar com toda a paramentação necessária, seja máscara, capote e luva. Ele estando imunizado, esse risco cai bastante”. 

Chebabo ressaltou também que a visitação é muito interessante para a recuperação dos internados. De acordo com ele, “o paciente fica muito sozinho, e o encontro com entes queridos ajuda psicologicamente na luta contra a doença”.

Apesar do cenário pandêmico não favorecer, o infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Celso Ramos relatou à CNN a importância em liberar os encontros entre pacientes e visitas.  

“O paciente sempre tem, a princípio, o direito de receber visitas, se não houver limitações sanitárias. Eu fiquei internado com Covid e sei como é. Para o paciente é muito solitário, é muito ruim, você fica sozinho no quarto vendo TV e esperando que algo aconteça”, disse o infectologista. 

Em contrapartida, a presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro, Tânia Vergara, alertou que mesmo as pessoas que estão vacinadas com as duas doses podem ser infectadas. Por isso, segundo ela, a permissão para a visita a pacientes com Covid-19 precisa ser discutida com muita cautela. 

“A proposta da vacina é que, se a pessoa se infectar, ela tenha a doença leve e não sintomas graves ou vá a óbito. Algumas dessas pessoas já vacinadas podem adquirir a doença e, mesmo não registrando um quadro grave, elas podem transmitir para outros. Então para que haja essa visita é necessário que essas pessoas sejam colocadas com os equipamentos de proteção individual, máscara, luva, capote... e esses materiais estão muito escassos em muitos hospitais. Não é justo que tire da equipe de saúde que trata os pacientes e dívida esse material com os visitantes. Eu acho que a medida é boa, mas quem decretou a medida precisa prover as medidas para que os hospitais possam cumprir esse decreto”, explicou.

Para a professora de epidemiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gulnar Azevedo, a visitação ainda é arriscada. 

“Acho prematura a decisão de liberar. Precisaríamos ter mais segurança para propor”, disse a professora. 

Começa visitação em hospitais da capital fluminense

À CNN, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou nesta terça-feira (18) que a visitação nas unidades do Rio de Janeiro “está acontecendo gradativamente”, e ressaltou que a decisão foi tomada em conjunto com o comitê científico. 

“A maioria dos membros acha que é o momento de a gente começar a ter mais atenção em relação a esse isolamento forçado do paciente. Tem que se avaliar os riscos e benefícios disso e se acreditar na vacina, mesmo assim, utilizando os equipamentos de proteção individual."

Soranz afirmou também que a decisão de liberar a visita é humanitária, pois é “muito duro para a pessoa que está internada não receber parente, nenhum tipo de visita”.