China enviará IFA para 16,6 mi doses de vacinas da Covid, abaixo da expectativa

Inicialmente, esperavam-se insumos para até 25 milhões de doses de imunizantes contra a doença do novo coronavírus

Ricardo Brito, da Reuters
20 de maio de 2021 às 17:22 | Atualizado 21 de maio de 2021 às 06:18

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, anunciou nesta quinta-feira (20) em reunião virtual com governadores a liberação para envio nos próximos dias ao Brasil de lotes de insumos para produção de 16,6 milhões de doses das vacinas Coronavac e AstraZeneca contra a Covid-19, o que representa uma redução em relação à estimativa divulgada anteriormente pelo Ministério da Saúde.

"Na conversa com o Fórum dos Governadores informei a liberação dos novos lotes de IFA pra produzir no total 16,6 milhões de doses da Coronavac e Vacina AstraZeneca, que chegarão no Brasil nos próximos dias. A China, fraterna com o povo brasileiro, está comprometida em parceria de vacinas", disse ele, no Twitter.

Nos últimos dias a previsão da quantidade de insumo farmacêutico ativo (IFA) a ser remetido pela China para produção de vacinas pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi caindo.

Reunião entre o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, com governadores brasileiros
Foto: Twitter/Reprodução

Inicialmente, a expectativa era o Brasil receber IFA suficiente para produzir 25 milhões de doses das duas vacinas: 18 milhões da vacina AstraZeneca pela Fiocruz e outras 7 milhões da CoronaVac pelo Butantan.

Mais recentemente esses quantitativos caíram para, respectivamente, 12 milhões e 5 milhões. Agora o embaixador falou em 16,6 milhões, sem especificar quanto seria para cada tipo de imunizante.

Um dos participantes do encontro virtual com o embaixador, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cujo governo é responsável pelo Butantan, pediu ajuda ao embaixador da China para evitar atrasos na liberação do IFA para a produção da Coronavac.

O Butantan e Doria afirmam que recentes ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à China têm interferido diretamente no cronograma de liberação de novos lotes de insumos pelos chineses.

O embaixador afirmou, segundo nota do governo paulista, que a China vai liberar insumos para ambas as vacinas.

“A China vai continuar a fornecer insumos para o Brasil e não vamos colocar obstáculos políticos, nem tratamento diferenciado na liberação de insumos para a Coronavac ou para a vacina AstraZeneca. Desejamos o máximo de esforço”, afirmou Yang Wanming, segundo declarações divulgadas pela assessoria do governo paulista.

Em nota, o Itamaraty afirmou que "o Ministério das Relações Exteriores acompanha permanentemente o processo de autorização de exportação de IFAs, inclusive por meio da Embaixada do Brasil em Pequim, atuando sempre com agilidade junto ao governo chinês". 

"Em diversas ocasiões, e em diversos níveis, autoridades chinesas comprometeram-se a fazer todo o possível para cooperar com o Brasil no combate à pandemia de COVID-19 e reiteraram que eventuais atrasos e flutuações no fornecimento não são intencionais, dado que a China está exportando IFAs para diversos países, o que gera expressiva demanda e sobrecarga tanto na fabricação de vacinas e ingredientes, quanto nos trâmites burocráticos", finaliza a nota.