Covid-19: Problema é fechar só com curva da doença em ascensão, diz médica

Prefeitos de diversas cidades se reúnem nesta sexta-feira (21) para discutir estratégias para evitar ou ao menos reduzir a intensidade de uma possível 3ª onda

Produzido por Bruno Laforé e Paula Forster, da CNN em São Paul
21 de maio de 2021 às 08:17

Prefeitos de diversas cidades brasileiras se reúnem nesta sexta-feira (21) para discutir estratégias para evitar ou ao menos reduzir a intensidade de uma possível terceira onda de Covid-19. Um exemplo de estratégia de combate bem-sucedida na segunda onda, e que será apresentado no encontro, é a aplicada pela prefeitura de Campinas, em São Paulo. 

Em entrevista à CNN, Andrea Von Zuben, epidemiologista e diretora do departamento de Vigilância em Saúde do município, explicou a metodologia usada por eles no combate à Covid-19. Segundo ela, o grande problema é que a maioria das prefeituras começa a tomar decisões de fechamento, por exemplo, quando a curva hospitalar está em ascensão. 

“O que aconteceu é que nós tivemos aprendizados a partir da primeira onda. Já sabemos que a doença vem em ondas epidêmicas, ou seja, vamos ter um aumento grande de internações hospitalares, seguida de um pico que dura várias semanas, e depois um começo de queda”, explicou a médica.

“O grande problema é que a maioria das prefeituras começa a tomar as decisões de fechamento e ampliação de leitos no momento em que a curva hospitalar já está em ascensão. Aí já é tarde porque o comportamento da Covid-19 é muito explosivo, e aí não dá tempo de viabilizar leitos. Então, acabamos entrando em colapso hospitalar.”

De acordo com a epidemiologista, as autoridades de Campinas passaram a pensar em indicadores mais precoces de monitoramento da pandemia. 

“Passamos a monitorar todas as unidades de saúde do município, quantos casos de sintomas respiratórios apareciam. E nós sabemos que quanto mais gente começa a ter esses sintomas, em 40 a 50 dias teremos um aumento hospitalar. Então, quando tem esse aumento de duas semanas consecutivas, começamos a preparar a rede hospitalar e [adotar] medidas restritivas.”

Movimento em Campinas, no interior de São Paulo, durante Fase Emergencial do plano de contenção da Covid-19
Foto: Denny Cesare/Código 19/Estadão Conteúdo