Hospitais de SP voltam a ter alta ocupação de leitos de UTI

Após queda de internações em abril, índices acendem alerta; especialistas dizem que número de internações está estável

Alisson Negrini Da CNN, em São Paulo
22 de maio de 2021 às 21:56

Depois da queda dos casos de Covid-19 por causa das restrições no estado, em abril, São Paulo voltou a ter taxas altas de ocupação de UTI. Alguns hospitais estão com mais de 90% dos leitos ocupados para casos graves.

O hospital particular Nipo-Brasileiro chegou nesta semana a 95% dos leitos destinados a pacientes graves ocupados. A possibilidade de um novo colapso deixou a gestão da unidade em estado de alerta.

"Isso preocupa bastante, porque quando chega a esses patamares, o nosso limite de ação começa a ficar muito curto", explica Sérgio Okamoto, superintendente geral do hospital, à CNN.

Taxa de ocupação dos leitos de UTI em São Paulo volta a ficar alta (20.mar.2021)
Foto: Reprodução / CNN

O temor é de atingir novamente a taxa de 100% de leitos de UTI ocupados e ter de criar uma fila de espera para pacientes infectados com o coronavírus. Além disso, pessoas sem Covid-19 também seriam atingidas, já que a realização de exames seria suspensa.

O levantamento do Sindicato dos Hospitais Particulares do estado feito neste mês, mostra que, na maioria das unidades privadas, a taxa de ocupação dos leitos de UTI está acima de 80%. A mesma pesquisa feita no mês de abril mostrava que 79% dos hospitais consultados estavam com as UTIs acima de 80%, o que indica, em maio, um aumento de sete pontos percentuais nas ocupações.

Já na rede pública de saúde, a taxa de ocupação tem se mantido abaixo de 80%. Segundo o coordenador do centro de contingência da Covid-19 em São Paulo, Paulo Menezes, a situação no momento ainda não é de crescimento de internações. "Há uma taxa de ocupação alta, mas o número de pacientes internados está relativamente estável. São 10 mil pacientes internados por dia nesse momento", afirma.

Para o centro de contingência, a vacinação é o principal motivo que faz com que a taxa de ocupação de leitos na rede pública se mantenha estabilizada. Em janeiro, pessoas com 70 anos ou mais representavam 35% de todas as internações no estado.

Em abril, esse número caiu para 20,4%, o que, segundo especialistas, é consequência da vacinação dos idosos. A expectativa é de que a queda continue acontecendo, mas o vírus ainda se espalha, avançando entre os mais jovens.

"Pessoas vão continuar sendo internadas, infelizmente vamos ter perda de vidas. Precisamos de toda a colaboração da sociedade com as medidas que reduzam a transmissão do vírus. Dessa forma vamos, progressivamente, com o aumento da vacinação, conseguir uma situação cada vez mais positiva", espera Menezes.