Ações para conter disseminação de variante chegam atrasadas, diz microbiologista

Em entrevista à CNN, microbiologista Natália Pasternak afirmou que as medidas sanitárias devem apenas diminuir o fluxo da nova cepa no país

Thiago Félix, da CNN, em São Paulo
24 de maio de 2021 às 21:41

A microbiologista Natalia Pasternak afirmou nesta segunda-feira (24), em entrevista à CNN, que o Brasil demorou a tomar medidas preventivas contra a nova variante da Covid-19 originária da Índia e que, apesar de ajudar a diminuir o fluxo de disseminação, as ações não devem conter o avanço da nova cepa no país. 

"Fechar fronteiras e estabelecer medidas sanitárias em portos e aeroportos agora vai ajudar a diminuir o fluxo, mas não conter", disse a microbiologista. 

"Já é difícil o suficiente conter uma variante de vírus em um mundo globalizado, mas deixando para fazer as intervenções na última hora, no momento em que a cepa já entrou, fica ainda mais"

Natalia Pasternak, microbiologista


Até esta segunda-feira, quatro estados brasileiros monitoravam casos suspeitos de contaminação pela nova cepa do novo coronavírus que foi originada na Índia. Na quinta-feira (20), o Maranhão tornou-se o primeiro estado a confirmar casos de infecção pela nova cepa, identificada em seis dos 24 tripulantes do navio chinês MV Shandong Da Zhi. 

A microbiologista também criticou as medidas de restrição implementadas no país durante o combate à pandemia, e cobrou medidas de prevenção contra a Covid-19.

"O 'abre e fecha' é uma grande preocupação", alertou Pasternak. "Até hoje não conseguimos realmente estabelecer medidas de prevenção contra a doença, mas, sim, a contenção de quando a situação explode." 

A microbiologista Natalia Pasternak conversou com a CNN sobre a nova cepa originária da Índia (24.mai.2021)
Foto: Reprodução / CNN