Precisamos aumentar a testagem para Covid-19 no Brasil, diz infectologista

Diretor da Sociedade Paulista de Infectologia afirmou à CNN que a testagem em massa é fundamental para conter a disseminação da nova cepa originária da Índia

Produzido por Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
27 de maio de 2021 às 22:18 | Atualizado 27 de maio de 2021 às 22:21

O infectologista e diretor da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), Evaldo Stanislau, afirmou nesta quinta-feira (27), em entrevista à CNN, que medidas sanitárias são essenciais para a contenção da disseminação da nova cepa originária da Índia no Brasil, e cobrou um maior número de testes de Covid-19 realizado no país. 

"Precisamos imediatamente aumentar a testagem em todo território nacional, mas, sobretudo, nas portas de entrada, sejam internacionais - nos casos de aeroportos e portos - e nacionais - no caso das rodoviárias e, eventualmente, as rodovias", afirmou o infectologista. 

Stanislau também afirmou que, em uma situação extrema, o país poderia fechar suas fronteiras com algumas regiões do mundo por causa da nova cepa originária da Índia. "Em situações extremas, precisamos considerar fechar as nossas fronteiras para alguns países e regiões", alertou o infectologista.

"Mas esperamos que com essas outras medidas de controle - testagem em massa, testagem nas portas de entrada, adoção de formulários e a partir daí medidas de quarentena - possamos ao menos mitigar essa situação."

São Paulo adota medidas sanitárias contra a nova cepa

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo instalou medidas sanitárias para controle de passageiros vindos do Maranhão e Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, no aeroporto de Congonhas e no Terminal Rodoviário do Tietê. A intenção é rastrear possíveis infectados com a cepa indiana.

Na rodoviária, os passageiros e motoristas serão orientados verbalmente sobre a possibilidade de contágio, receberão material educativo e terão a temperatura medida. Em caso de sintomas de síndrome gripal, a pessoa será encaminhada para atendimento na rede municipal de Saúde, realizará teste PCR para o novo coronavírus e, se necessário, fará isolamento em casa ou em hotel. Todos deverão assinar um termo confirmando a orientação da equipe de Vigilância Sanitária.

O aeroporto internacional de Guarulhos não tem pontos sanitários – passageiros vindos do Maranhão confirmaram nenhum tipo de orientação diferenciada ao chegar em São Paulo. A Administração do Aeroporto e a prefeitura de Guarulhos disseram que não farão restrições a estes passageiros, apenas a orientação habitual de combate à pandemia, como orientações por escrito e avisos sonoros. Segundo o aeroporto, a responsabilidade do controle é da Anvisa. A CNN pediu um retorno da Agência de Vigilância Sanitária, mas não recebeu resposta.

Casos são identificados pelo Brasil

Há uma semana, a variante indiana foi identificada em seis pessoas, de uma tripulação de 24, que estavam em um navio vindo da China e que está parado a 35 quilômetros da costa de São Luís, capital do Maranhão. Os infectados estão isolados.

O sétimo caso foi confirmado após exame do Instituto Adolfo Lutz. Um homem de 32 anos que trabalhou na Índia, desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no dia 22 de maio e seguiu em voo para Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Nesta quinta-feira (27), o Ministério da Saúde confirmou à CNN que o paciente contaminado com Covid-19 em Juiz de Fora está infectado com a cepa originária da Índia do vírus.

Foto: Raquel Portugal/Fiocruz