Queiroga diz que não haverá interrupção no fornecimento de vacinas pela Fiocruz

Fundação já tinha admitido possibilidade de intervalo entre doses entregues com ingredientes importados e nacionais

Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro
18 de junho de 2021 às 11:22 | Atualizado 19 de junho de 2021 às 00:50

 

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afastou a possibilidade de interrupção na produção de imunizantes por parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por falta de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA).

“Bom, período sem produção da vacina não vai haver. Justamente por isso é que se tratou esse acordo com a AstraZeneca, o laboratório que fica na China, para prover mais IFA para produzir 50 milhões de doses de vacina”, disse Queiroga durante uma coletiva de imprensa da prefeitura do Rio de Janeiro.

Com o IFA já em estoque na Fiocruz estão garantidas as entregas semanais de imunizantes até julho. Como as primeiras doses totalmente nacionais, com IFA produzido na instituição, só serão entregues ao governo federal em outubro, foi ventilada a possibilidade de interrupção no fornecimento de doses.

Para evitar que isso aconteça, a Fundação negocia com a AstraZeneca a entrega de mais insumos importados. Em maio, a Fiocruz já precisou parar a produção das vacinas de Oxford por falta de matéria-prima.

Em depoimento na CPI da Pandemia, Queiroga disse esse contrato de importação de IFA já tinha sido assinado. Nesta sexta-feira (18), ele voltou atrás. “Eu não sei afirmar com certeza se o acordo já foi assinado. É provável que sim. Mas não vai haver interrupção da produção de vacinas na Fiocruz”, disse o ministro.

Apesar de as doses 100% nacionais já estarem em produção, existe um processo que leva tempo. “A vacina com o IFA nacional já começa a ser produzida. O problema, não é um problema, é uma norma de controle de segurança, é que essa essa vacina precisa ser submetida a testes. Testes biológicos para verificar a ocorrência de vírus replicantes. É necessário assegurar à população, primeiro, segurança. Segundo, a eficácia. E a efetividade nós verificamos a medida que as pessoas são imunizadas”, lembrou Queiroga.

Além do imunizante de Oxford produzido pela Fiocruz, o Ministério da Saúde também articula a compra de outras vacinas. “Como a nossa estratégia é diversificada, nós já fizemos esse contrato com a Pfizer, que até setembro nós teremos 100 milhões de doses. Até dezembro, mais 100 milhões”, afirmou.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga
Foto: CNN Brasil/Isabelle Saleme