Estado do Rio tem mais de 1.400 denúncias de irregularidades na vacinação

De acordo com o Ministério Público, a maioria dos comunicados estão relacionados aos fura-filas

*Mylena Guedes, da CNN, no Rio
30 de junho de 2021 às 22:31 | Atualizado 30 de junho de 2021 às 22:35
Seringas e agulhas para vacinação
Seringas e agulhas para vacinação
Foto: HVesna/Pixabay

Até o momento, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recebeu 1.434 denúncias sobre supostas irregularidades em relação à prioridade da vacinação contra Covid-19, sendo a maioria relacionada aos fura-filas. De acordo com a instituição, todas as comunicações foram encaminhadas às Promotorias de Justiça para serem analisadas.  

Tendo em vista que a vacinação no território fluminense teve início em janeiro desde ano, o MPRJ recebe por dia uma média de oito comunicados sobre irregularidades na aplicação das doses. Foram instaurados, até esta quarta-feira, 31 Procedimentos Administrativos, 12 Inquéritos Civis (ICs), cinco Procedimentos Preparatórios (PPs) e um Procedimento Investigatório Criminal (PIC). 

Os Procedimentos Administrativos foram instaurados em diversas regiões do estado, sendo dois na capital fluminense, seis na região metropolitana, cinco em Cabo Frio, quatro em Cordeiro, nove em Itaperuna, dois em Campos dos Goytacazes, dois em Nova Friburgo e um em Macaé. 

Nessa terça-feira (29), a Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD) indiciou nove pessoas acusadas de furarem a fila da imunização no Hospital Municipal Miguel Couto, na Zona Sul da cidade do Rio. Entre os suspeitos estão ex-funcionários da unidade, que utilizaram os crachás antigos para receber a dose, e moradores da região, que fingiram ser médicos para obterem a prioridade.   

Os indiciados vão responder pelos crimes de falsidade ideológica, que prevê penas de reclusão de um a cinco anos e multa, e infração de medida sanitária, que tem penas de detenção de um mês a um ano. Para identificar os fura-filas, os agentes da delegacia cruzaram dados da lista de vacinados com a relação de servidores do hospital e cadastros de profissionais de saúde junto aos respectivos conselhos. 

Segundo o delegado titular, Thales Nogueira Braga, essa é apenas a primeira fase de uma investigação complexa que teve início em fevereiro deste ano. Em um primeiro momento, foram levantadas aproximadamente 200 situações suspeitas, de acordo com a Polícia. Ao longo das investigações, diversas denúncias foram descartadas após os vacinados comprovarem que são terceirizados da unidade de saúde ou acadêmicos de medicina que atuam em hospitais. 

*Sob supervisão de Helena Vieira