Só teremos rotina de volta quando todos aceitarem a vacina, diz epidemiologista

Fake news devem ser combatidas para que cada vez mais gente seja imunizada, defende Ethel Maciel

Produzido por Juliana Alves, da CNN São Paulo
10 de julho de 2021 às 17:25

O brasileiro só poderá ter de volta a rotina pré-pandemia quando a maior parte da população estiver imunizada contra a Covid-19 e, quanto mais se retardar esse processo tentando escolher qual vacina tomar, mais vai demorar para isso acontecer, alerta a epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Ethel Maciel, em entrevista à CNN neste sábado (10).

"Nesse momento importa a velocidade da vacinação. Aceitar a vacina que tiver quando formos chamados é fundamental para conseguir ter o controle da pandemia. Todos estamos cansados, todo mundo quer voltar à sua vida, mas só vamos fazer isso quando todos aceitarem a vacina", explica.

 

Ela defende o combate às fake news com informação, em vez de punições como algumas cidades estão adotando para quem se recusa a tomar. "A melhor forma de convencer as pessoas é a informação. Nós estamos numa campanha já tão confusa, as pessoas estão recebendo muitas fake news nas redes sociais. Temos pessoas que receberam notícias de que a vacina pode até matar e não querem tomar por isso. A notícia é falsa, as vacinas são seguras". 

Vacina da Pfizer é preparada para uso por profissional da Saúde no Distrito Federal
Foto: Tony Winston - 10.mai.2021/Ministério da Saúde

 

Ethel diz que não se deve temer os possíveis efeitos colaterais. "Os eventos pós-vacinais existem, mas são muito leves: dor de cabeça, no braço, no corpo. Precisamos fazer com que essa informação chegue às pessoas. Se a pessoa tiver inchaço, dor no peito e nas pernas, procure o serviço de saúde para que possam intervir e tudo vai se resolver. Algumas vezes, raras, precisamos de intervenção medicamentosa. Mesmo esses eventos mais graves podem ser medicados e são passíveis de solução.

A epidemiologista e professora da UFES Ethel Maciel, uma das pesquisadoras do grupo técnico do Plano Nacional de Imunização (PNI) (10.Jul.2021)
Foto: Reprodução/CNN

A especialista, que foi uma das coordenadoras do Plano Nacional de Imunização, pede engajamento. "A gente precisa se unir para convencer aqueles que estão ainda indecisos que as vacinas são importantes. A vacina é segura, eficaz e a gente deve ir à unidade de saúde tomar."