Infecção simultânea por duas cepas da Covid-19 é 'raridade', diz infectologista

Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri afirma que é mais preocupante coinfecções de vírus de doenças diferentes do que da mesma

Produzido por Juliana Alves, da CNN, em São Paulo
12 de julho de 2021 às 11:16

O caso de uma mulher belga de 90 anos que morreu de Covid-19, em março, por infecção de duas variantes do coronavírus ao mesmo tempo ainda é considerado raro pelos especialistas, afirmou o médico infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri.

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (12), o infectologista explicou que, em 2020, a primeira temporada da Covid-19 teve o vírus circulando sozinho, sem variações nem mesmo predominância de outros vírus respiratórios. "Não tivemos em nenhum lugar do mundo circulação simultânea com outros vírus respiratórios comuns no inverno, como o da gripe e vários outros."

Conforme o surgimento de novas variantes vai afastando geneticamente o vírus em circulação da cepa original, que apareceu em Wuhan, o médico disse que surge a oportunidade para infecções simultâneas. "É possível que encontremos casos de uma mesma pessoa ter mais de uma variante. Mas isso é uma raridade ainda", disse Kfouri.

Ainda segundo o infectologista, a comunidade médica acredita que infecções simultâneas devem ocorrer de forma esporádica em pessoas com resposta imune deficiente, porém, este não é o maior risco. "Me preocupa mais coinfecções de Covid-19 [ao mesmo tempo] com a gripe ou resfriado, com outros vírus do que propriamente duas variantes do coronavírus. Esse é o cenário que nos preocupa e estamos de olho no inverno."

Monitoramento de variantes em laboratório
Foto: Reprodução/CNN (21. mai.2021)