Pfizer-BioNTech começará a produzir vacinas da Covid-19 na África do Sul em 2022

Produção anual deve ultrapassar as 100 milhões de doses, que serão distribuídas apenas para países no continente africano

David McKenzie e Jeevan Ravindran, da CNN, em Johanesburgo
21 de julho de 2021 às 11:42
Brasil recebe mais vacinas da Pfizer contra a Covid-19
Doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela parceria entre Pfizer e BioNTech
Foto: Myke Sena/Ministério da Saúde

A Pfizer e a BioNTech anunciaram em conjunto nesta quarta-feira (21) que começarão a fabricar sua vacina contra a Covid-19 na África do Sul, em um movimento que pode aumentar significativamente a disponibilidade de doses em todo o continente no próximo ano.

Quando a operação estiver em pleno funcionamento, as empresas disseram que a produção anual de vacinas ultrapassará 100 milhões de doses, a serem distribuídas exclusivamente nos países africanos.

Em um comunicado, as empresas afirmaram que assinaram uma carta de intenções com o Instituto Biovac da Cidade do Cabo para transferir tecnologia, instalar equipamentos e desenvolver capacidade de fabricação. A matéria-prima para as vacinas será transportada da Europa e as primeiras doses serão produzidas em 2022.

As taxas de vacinação em toda a África permanecem extremamente baixas, com pouco mais de 20 milhões de doses da vacina administradas a uma população de mais de 1,3 bilhão, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que afirma que apenas 1,5% da população foi totalmente vacinada. Vários países, incluindo Mali, Níger e Etiópia, quase não administraram doses a cada 100 pessoas.

O anúncio recebeu uma resposta positiva. "É uma notícia ótima e bem-vinda que deve ser celebrada no contexto desta pandemia, pois cada ação conta. Vejo isso como parte da ação coletiva para abordar a transferência de tecnologia e propriedade intelectual", John Nkengasong, diretor dos Centros Africanos para Controle e Prevenção de Doenças, disse à CNN.

Países como a Índia e África do Sul têm feito apelos constantes para que empresas renunciem aos direitos de propriedade intelectual sobre a tecnologia de vacinas – parte das negociações em andamento na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o assunto.

O andamento da vacinação no continente tem sido prejudicado por uma escassez de doses, muitas das quais são fornecidas pela iniciativa global de distribuição de vacinas Covax. Grande parte dessas doses estavam programadas para serem enviadas do Instituto Sérum da Índia, mas as exportações foram suspensas em meio à desastrosa segunda onda de Covid-19 na Índia e não serão reiniciadas até o final do ano.

Países como o Sudão do Sul e o Quênia ficaram quase ou totalmente sem doses, conforme os casos aumentam em todo o continente. Na semana passada, a OMS anunciou que os países da África registraram um aumento de 43% nas mortes por Covid-19 em relação à semana anterior correspondente.

A África do Sul, onde a Pfizer/BioNTech fabricará as doses tão necessárias, está atualmente no meio de uma terceira onda mortal desencadeada pela variante Delta. O país entrou em um bloqueio estrito no final de junho, mas viu 63.000 mortes de Covid-19 durante a pandemia, com níveis atuais de mais de 300 mortes por dia.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)