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    Consumo de vapes cresce no Brasil; falta de regulamentação aumenta riscos à saúde

    Consumo desse produto ilegal e sem regras pode trazer prejuízos incalculáveis, já que não se sabe hoje quais substâncias estão nesses dispositivos

    Da CNN Brasil

    Mais de dois milhões de brasileiros consomem diariamente cigarros eletrônicos. No Brasil, a venda desses dispositivos são proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009.

    Mesmo com essa proibição, os vapes são encontrados facilmente nas ruas. E o consumo desse produto ilegal e sem regras pode trazer prejuízos incalculáveis, já que não se sabe hoje quais substâncias estão nesses dispositivos.

    No mundo inteiro, a estimativa é de que 367 milhões de pessoas consumam cigarros eletrônicos. Aqui no Brasil, mesmo sem padrões sanitários estabelecidos, o consumo segue aumentando. Segundo um estudo do IPEC, no ano passado, eram 2,2 milhões de consumidores frequentes.

    Para se ter uma ideia, em 2018, eram menos de 500 mil. Todo o mercado de vaporizadores e produtos de tabaco aquecidos é ilegal no Brasil. Independentemente do processo de regulamentação, os vapes não são recomendados em hipótese alguma para menores de 18 anos e não são inócuos para a saúde.

    Para a ex-diretora da Anvisa e consultora da Bat Alessandra Bastos, dizer que no Brasil que o cigarro eletrônico é proibido, é algo que só existe no papel. “É uma falácia porque nós conseguimos encontrar o cigarro eletrônico em qualquer lugar, em banca de jornal, na porta dos colégios, na porta das universidades, em bares, em restaurantes, na praia, nos ambulantes”, diz.

    “Então, essa proibição ela só existe para empresas que querem vender o produto obedecendo as normas sanitárias.”

    Os vapes são regulamentados em 80 países. No Brasil, o consumo e a venda são proibidos pela Anvisa desde 2009.

    Substâncias tóxicas
    Para essa a toxicologista Silva Cazenave, o cigarro eletrônico pode ser parte de uma estratégia de redução de danos, desde que regulamento.

    “A gente observa que várias das substâncias que são presentes no cigarro, elas não são presentes no cigarro eletrônico ou no dispositivo eletrônico pra fumar”, afirma.

    “Eu acho que a primeira coisa do ponto de vista toxicológico é a gente pensar que quanto maior a dose, maior o efeito. quanto maior o número de substâncias, maior o efeito nocivo. então se você tem uma diminuição dessa exposição, você vai ter também uma diminuição dos efeitos.”

    O contrabando no Brasil também impacta a economia. Um estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) mostra que com a fabricação interna e comércio legal, pode haver um aumento na arrecadação de impostos líquidos no setor de fumo, chegando a quase R$ 136 milhões por ano.

    “São R$ 5 bilhões que são perdidos de impostos todos os anos”, afirma Lauro Anhenzini Junior, chefe de assuntos regulatórios da BAT.

    “E R$16 bilhões, também em pesquisa da FIEMG de impactos econômicos, R$ 16 bilhões são perdidos em faturamento na cadeia produtiva direta e indireta todos os anos. E 110 mil empregos diretos e indiretos também são perdidos todos os anos por conta da não geração de empregos de qualidade ao não fabricar ou não importar esses produtos regularmente no país”, dia Anhenzini.

    No fim deste mês, um audiência no Senado vai discutir a regulamentação do produto aqui no país, com participação da Anvisa, que no ano passado divulgou um relatório mantendo a proibição. Em nota, a agência informou que existe um processo de discussão regulatória sobre os dispositivos eletrônicos para fumar mas e não pode antecipar informações sobre o processo antes dele ser concluído.

    “A importação desse produto é proibida até para pesquisa. só com a regulamentação, a vigilância sanitária será efetivamente realizada, implementada e nos trará o que, certezas sobre tudo isso que vem sendo discutido”, afirma Alessandra Bastos: ex-diretora da Anvisa e consultora da BAT

    (Publicado por João Guimarães)