Pesquisadores de SP fazem sequenciamento genético do coronavírus


29 de fevereiro de 2020 às 05:02
Imagem da estrutura do betacoronavírus, como o novo coronavírus

Projeção da Nexu Science Communication, em conjunto com o Trinity College, em Dublin, mostra modelo estruturalmente representativo de um betacoronavírus, tipo vinculado ao Covid-19

Crédito: Nexu Science Communication/Reuters

O Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, anunciou nesta sexta-feira (28) a conclusão do primeiro sequenciamento genético do novo coronavírus (COVID-19) na América Latina. A análise realizada em conjunto com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Oxford, da Inglaterra  foi concluída cerca de 48 horas após a confirmação do primeiro caso diagnosticado da doença no estado e no Brasil.

“Grupos internacionais têm demorado, em média, 15 dias para gerar e submeter as suas sequências relativas a casos de COVID-19, o que destaca a relevância científica da pesquisa brasileira e o pioneirismo do Estado de São Paulo. Essa conquista certamente contribuirá para aprimorarmos as políticas públicas de vigilância e prevenção da doença”, afirmou o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.

Com o detalhamento do genoma do SARS-Cov-2, causador da doença em circulação internacional, cientistas brasileiros podem colaborar no desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos relativos ao novo vírus. 

Análises preliminares indicam que o genoma identificado no Brasil difere-se por três mutações da cepa de referência de Wuhan, na China. Duas dessas mudanças se aproximam à variação do vírus da Alemanha, diagnosticada em transmissão de Munique, região da Bavária. Portanto, a maior similaridade do vírus detectado no paciente de São Paulo é com a cepa europeia.

O Brasil segue com apenas um caso confirmado de COVID-19, até o momento, registrado no estado de São Paulo. O homem está em isolamento domiciliar, com quando clínico estável e sintomas leves. Ele retornou da Itália ao Brasil no último dia 21 e apresentou sintomas suspeitos, como tosse, coriza e febre.

Nesta sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que o Brasil investiga outros 182 casos suspeitos da doença.