Foxconn espera que produção de iPhones volte ao normal em março


Sherisse Pham, da CNN Business
03 de março de 2020 às 23:18
Chineses de máscara caminham na frente da sede da montadora Foxconn

A fabricante chinesa Foxconn (03.mar.2020)

Crédito: David Chang/EPA-EFE/Shutterstock

A Foxconn, maior fabricante de produtos da Apple, como o iPhone e o iPad, espera voltar à produção normal até o fim deste mês, após o surto de coronavírus forçar a empresa a fechar as fábricas no fim de janeiro.

Porém, o presidente da companhia, Liu Young-Way, disse durante uma reunião com investidores que ainda há muitas incertezas e que a empresa ainda não consegue quantificar o impacto do fechamento no faturamento anual. 

Enquanto isso, Liu disse que haverá "impacto negativo significante para todos os segmentos do negócio" nesse período de três meses que se encerra em março. Questionado se esse primeiro trimestre seria lucrativo, Liu respondeu: "Não consigo te dizer neste momento". 

O coronavírus matou mais de 3.100 pessoas até o momento, incluindo 173 fora de territórios chineses. Quase 91.000 foram infectados, a maioria na China.

Também chamada de Hon Hai Precision Industry, a Foxconn emprega centenas de milhares de pessoas. Cerca de 75% de sua capacidade de produção fica na China continental, de acordo com a corretora KGI Asia.

A manufatureira anunciou que, nesta terça (3), está produzindo a aproximadamente 50% de sua capacidade.

Como outras fabricantes na China continental, a Foxconn tem enfrentado dificuldades para retornar as atividades de suas fábricas. Em esforço para conter o novo vírus, milhões de pessoas em toda a China estão restringidas de viajarem, e os requerimentos para retornar as operações fabris variam de acordo com acordos com os governos locais. Como resultado, as plantas da Foxconn "estão com trabalhadores e componentes-chave em falta", conforme escreveu Arthur Liao, um analista da Fubon Research.

"Não enxergamos a cadeia de abastecimento como um grande problema, a mão de obra ainda é a questão número um agora", disse Liu, da Foxconn, nesta terça.

A Fubon Research e a KGI Asia preveem que as vendas da Foxconn no primeiro trimestre vão ficar em menos de US$ 33,3 bilhões (cerca de R$ 150 bilhões), o que marcaria a pior performance trimestral da empresa desde junho de 2017.

A analista da KGI Asia Laura Chen estimou em nota em fevereiro que as vendas da Foxconn ficarão entre US$ 31 bilhões, diminuição de 10% em relação ao mesmo período no ano passado. O segundo trimestre também terá uma redução de 8%, de acordo com Chen.

A produção reduzida da Foxconn também deve atrasar o lançamento do modelo mais barato iPhone SE2, que era esperado para este mês ou o seguinte, segundo Chen. 

A Apple não comentou o assunto. A companhia avisou no mês passado que o faturamento para o trimestre de março seria afetado, pois o surto de coronavírus está limitando a quantidade de aparelhos que consegue fabricar e vender na China.

Quando as operações voltarem ao normal, a Foxconn terá que correr para compensar o tempo perdido, uma vez que seus problemas provavelmente afetarão algumas das maiores marcas de eletrônicos. Além da Apple, a empresa também produz para companhias como Microsoft, Dell e Sony. 

Mesmo em um ano normal, as marcas de eletrônicos dos Estados Unidos "se apressam para ter os produtos manufaturados e em posição" para os consumidores comprarem durante os períodos de maior demanda —tipicamente em junho e no período natalino, de acordo com Dan Wang, analista de tecnologia na empresa de pesquisa Gavekal Dragonomics. 

"A produção de eletrônicos é um processo altamente coreografado, que depende de milhares de componentes estarem no lugar certo na hora certa, então qualquer impedimento pode facilmente causar efeito cascata na cadeia de abastecimento", Wang escreveu em uma nota de pesquisa no mês passado.

A interrupção nas operações da Foxconn levantou questionamentos sobre se a companhia deveria desenvolver manufatura fora da China continental. Liu disse que depender menos em um só país no futuro "é o caminho a seguir". 

Pressionado sobre quanto das operações da Foxconn ele moveria para outros países, Liu respondeu que os desdobramentos da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China seriam um fator chave no cálculo.

"Realmente depende se o [presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump será reeleito. Se ele for, eu acho que a porcentagem seria maior", disse.