Pandemia leva bancos a repensarem papel social, dizem executivos


da CNN, em São Paulo
25 de junho de 2020 às 17:24 | Atualizado 25 de junho de 2020 às 18:10
Evento de tecnologia bancáriaFoto: CNN

Para os executivos de Itaú, Bradesco, Caixa e Santander participantes do painel "A transformação cultural do sistema financeiro e o papel social dos bancos" da Ciab Febraban nesta quinta-feira (25), a pandemia da Covid-19 levou os bancos a repensarem seu papel social.

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Durante o evento, Claudia Politanski, vice-presidente do Itaú Unibanco, André Rodrigues Cano, vice-presidente-executivo do Bradesco, Paulo Henrique Angelo Souza, vice-presidente de Rede de Varejo da Caixa, e Patricia Audi, vice-presidente executiva de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Santander Brasil, disseram que a crise sanitária fez com que os bancos, normalmente concorrentes entre si, se juntassem para criar soluções.

"Queremos colaborar com o país, não só olhar para as questões comerciais nesse período", disse Souza, da Caixa.

Os executivos citaram iniciativas individuais de extensão de dívidas, concessão de crédito e ações voltadas aos micro, pequenos e médios empresários, mas também de ações conjuntas.

Politanski, do Itaú, disse que a maior responsabilidade do banco neste momento é a de se manter sólido e operante para atender seus clientes, mas que tem se unido a outras instituições para ações conjuntas. Ela citou a união para financiar a indústria produtora de respiradores.

"O setor industrial deu as mãos para ajudar empresas a se reinventarem, mudar modelos de produção, mas precisavam de financiamento. Nós bancos nos unimos para financiar essa produção", conta. "Esse é o papel social dos bancos, usar a capacidade de intermediação para ajudar o país, as empresas a poderem desenvolver atividades e as pessoas a viabilizarem seus sonhos."

Ela também citou a iniciativa Todos Pela Saúde. Os executivos falaram ainda de um esforço em grupo para adquirir equipamentos de proteção individual para doações.

"Vamos fazer o que estiver ao nosso alcance, do ponto de vista humanitário, sanitário e, principalmente, econômico e de negócios para poder ajudar o país a sair dessa crise, para que as pessoas retomem suas vidas e a economia volte a crescer", disse Politanski.

Audi, do Santander, também citou uma iniciativa em que o banco encomendou 15 mil máscaras da Rede Mulher Empreendedora e doou para secretarias de Saúde e comunidades.

André Cano, do Bradesco, relembrou que, apesar de a pandemia ter acentuado essa participação mais direta dos bancos na iniciativa, essas empresas sempre tiveram um papel social muito importante.

"O banco recebe o dinheiro dos depositantes e aplica em empréstimos, isso tem um efeito sobre a economia que é fantástico, não dá para imaginar a economia sem os bancos", disse. "Cidades que não têm atendimento bancário, acontece uma transição quando recebem, o dinheiro passa a circular. O próprio funcionamento do banco é de um papel social enorme. A crise o ampliou, no sentido de buscarmos conjuntamente soluções para atravessarmos a crise", disse.

O futuro

Em seguida, o cientista-chefe da TDS.Company, Silvio Meira, fez uma apresentação sobre a história da tecnologia e como ela mudou o funcionamento dos bancos, e o que o futuro guarda para o setor.

Ele citou debates correntes da tecnologia bancária, como o open banking, as fintechs e até a tentativa do WhatsApp de oferecer um sistema de pagamentos. "Não é a tecnologia que vai mudar o mundo, o que muda o mundo é uma estratégia de mudança, um processo de transformação que não tem começo nem fim. É também uma mudança cultural, da maneira que vemos o mundo", disse. 

O painel "A transformação cultural do sistema financeiro e o papel social dos bancos" foi o último do Ciab, organizado pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos). De acordo com a organização, mais de 33 mil pessoas se conectaram para assistir à programação só no primeiro dos três dias.

O diretor de Comunicação da Febraban, João Borges, disse que, apesar do desafio de fazer um congresso com 30 anos de história pela internet pela primeira vez, o saldo é positivo. "Estamos agradecidos e nos preparando para o ano que vem", despediu-se.