Juíza rejeita pedido dos EUA para retirar WeChat de lojas de aplicativos

O governo americano afirma que os dados dos usuários estão sendo acessados pelo governo chinês através de apps

Da Reuters
25 de outubro de 2020 às 14:13 | Atualizado 25 de outubro de 2020 às 14:14
Aplicativo WeChat
Foto: REUTERS/Florence Lo/Illustration

Uma juíza de São Francisco rejeitou nesta sexta-feira (23) pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para rever decisão que impediu o governo norte-americano de barrar a veiculação do aplicativo chinês WeChat nas lojas da Apple e do Google no país.

A juíza Laurel Beeler afirmou que não acredita que o pedido feito pelo Departamento de Justiça possa "mudar o resultado" da decisão dela que permitiu a continuação do uso do app nos EUA.

Na Organização Mundial do Comércio (OMC), a China afirmou que as restrições dos Estados Unidos aos aplicativos TikTok e WeChat violam as regras do órgão, disse uma autoridade comercial.

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O governo Trump ordenou bloqueios de download nos dois aplicativos móveis e ordenou que a ByteDance, dona chinesa do TikTok, venda suas operações para uma empresa dos EUA, citando preocupações de segurança nacional. No entanto, os juízes dos EUA questionaram o caso do governo.

Um representante da China disse em reunião a portas fechadas no início de outubro que as medidas "são claramente inconsistentes com as regras da OMC, limitam serviços comerciais transfronteiriços e violam os princípios e objetivos básicos do sistema comercial multilateral".

O oficial disse que os EUA falharam em dar evidências concretas para a decisão, um "abuso claro" das regras.

Na mesma reunião, os EUA defenderam suas ações, dizendo que visam mitigar os riscos à segurança nacional. O governo já havia dito que os dados dos usuários americanos estão sendo acessados pelo governo chinês.

O escritório do representante de Comércio dos EUA não comentou imediatamente. Um funcionário da missão chinesa na OMC não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A declaração chinesa não terá consequências por si só, embora a China possa apresentar uma queixa legal oficial sobre ela ao órgão com sede em Genebra.