China lança missão para coletar amostras da Lua

Se for bem-sucedida, será o terceiro país a conseguir feito, depois dos EUA e União Soviética

Reuters
23 de novembro de 2020 às 20:16 | Atualizado 23 de novembro de 2020 às 20:42


 

A China disse que o lançamento antes do amanhecer desta terça-feira (24) de uma nave robótica que deve trazer rochas da lua foi bem-sucedido. Essa é a primeira tentativa de qualquer país de conseguir amostras do satélite desde os anos 1970 —uma missão que revela as ambições chinesas sobre o espaço. 

O Long March-5, o maior foguete de lançamento da China, decolou às 4h30 do horário de Pequim (15h30 de segunda no horário de Brasília) do Centro de Lançamentos Espaciais Wenchang, na ilha do sul chinês Hainan. Dentro dele, estava a nave não-tripulada Chang'e-5. 

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A Administração Nacional Espacial da China (CNSA) disse que o lançamento foi bem-sucedido e que o foguete voou por quase 37 minutos antes de enviar a nave em sua trajetória planejada.

A missão Chang'e-5, nomeada pela antiga deusa chinesa da Lua, vai tentar coletar material lunar para ajudar cientistas a entenderem mais sobre as origens e a formação do satélite.

Representação do veículo lunar da missão chinesa Chang'e-5

Foto: Reprodução/CCTV

Se a missão for completada como planejado, a China será o terceiro país a conseguir trazer amostras lunares à Terra, juntando-se aos Estados Unidos e à antiga União Soviética.

A missão deve durar 23 dias, de acordo com Pei Zhaoyu, porta-voz da missão. 

Planos de estação espacial

A China, que conseguiu o primeiro lançamento no lado escuro da Lua no ano passado e, em julho deste ano, lançou uma sonda para Marte, tem outros objetivos espaciais em mente. O país planeja ter uma estação espacial tripulada permanentemente funcionando por volta de 2022. 

"A partir do ano que vem, vamos executar a missão de lançamento da nossa estação espacial nacional", disse Qu Yiguang, comandante-adjunto do foguete Long March-5. 

Questionado sobre quando a China planeja colocar astronautas na Lua, Pei disse que qualquer decisão seria tomada baseada em necessidades dos cientistas, bem como as condições técnicas e econômicas. "Eu acredito que atividades de exploração lunar, no futuro, devam ser executadas por uma combinação de humanos e máquinas", acrescentou. 

Matt Siegler, um cientista no Instituto de Ciência Planetária do Arizona, que não integra a missão Chang'e-5, disse que a área onde a nave deve pousar tem cerca de 1-2 bilhões de anos. 

"Isso é bem jovem para a Lua —a maior parte das nossas amostras têm 3,5 bilhões de anos ou mais", disse Siegler, acrescentando que a área e outras similares representam um "vulcanismo de último estágio", quando a Lua tinha calor interno suficiente para atividades assim. 

"Queremos descobrir o que é especial sobre essas regiões e por que elas permaneceram quentes por mais tempo que o restante da Lua", acrescentou. 

Os EUA, que atualmente têm planos para colocar astronautas na Lua até 2024, aterrissou 12 astronautas lá durante o programa Apollo, ao longo de seis voos de 1969-1972, e trouxe 382 kg de rochas e solo. 

A União Soviética lançou três missões de coleta de amostras lunares nos anos 1970. A última, a Luna 24, trouxe cerca de 170 gramas de amostras em 1976.