SpaceX vai construir espaçonave da Nasa que levará homens à Lua em 2024

Empresa de Elon Musk venceu a concorrência da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos

Reuters
16 de abril de 2021 às 21:42 | Atualizado 16 de abril de 2021 às 21:43
Astronautas Bob Behnken e Doug Hurley à frente da Tripulação Demo-2
A SpaceX e a Nasa concluem ensaio completo das atividades com os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley à frente da Tripulação Demo-2
Foto: SpaceX/ Reprodução

A empresa espacial SpaceX, do bilionário Elon Musk, foi escolhida pela Nasa para construir a espaçonave que levará astronautas à Lua em 2024, informou nesta sexta-feira (16) a agência espacial norte-americana. A empresa de Musk desbancou a Blue Origin, de Jeff Bezos, e a Dynetics Inc., e vai receber receber US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 16,2 bilhões). 

Bezos e Musk - respectivamente, a primeira e a terceira pessoas mais ricas do mundo, de acordo com a Forbes - competiam para liderar a volta da humanidade à Lua pela primeira vez desde 1972. 

A SpaceX fez a oferta sozinha, enquanto a Blue Origin se associou a Lockheed Martin Corp, Nothrop Grumman Corp e Draper. A Dynetics é uma empresa da Leidos Holdins Inc. 

"Regras da Nasa!", escreveu Elon Musk em sua conta no Twitter após o anúncio. 

Assim, a Nasa concedeu o contrato para primeira sonda humana comercial, parte de seu programa espacial Artemis. A agência americana afirmou que a sonda levará dois astronautas americanos até a superfície lunar. 

"Devemos realizar o próximo pouso o mais rápido possível", disse Steve Jurczyk, administrador interino da Nasa, durante o anúncio, por videoconferência. 

A Nasa disse que a nave espacial da SpaceX inclui uma cabine espaçosa e duas câmaras de descompressão para caminhadas na Lua, e que a arquitetura foi feita para que o sistema de lançamento e de pouso seja totalmente reutilizável, sendo projetado para viagens à Lua, a Marte e a outros destinos espaciais. 

Também no Twitter, a Spacex escreveu que está "honrada de ajudar a Nasa Artemis a inaugurar uma nova era de exploração espacial humana". 

Diferente dos pousos da Apollo entre 1969 e 1972, até aqui as únicas vezes em que o homem foi à Lua, a Nasa agora se prepara para uma presença lunar de longo prazo, o que servirá como um trampolim para planos ainda mais ambiciosos de envio de astronautas a Marte. 

A agência espacial americana está apoiando fortemente empresas espaciais privadas que compartilham sua visão para a exploração do espaço. 

O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk
O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk
Foto: Mike Blake - 13.jun.2019 / Reuters

Havia a expectativa de que a Nasa contratasse duas empresas para o concurso do novo módulo lunar até o mês de abril, mas a agência optou somente pela SpaceX, em um movimento que aprofunda a cooperação entre as duas partes. Na quinta-feira (15), a Nasa anunciou que enviaria sua tripulação para a Estação Espacial Internacional por meio de um foguete da SpaceX já em 22 de abril. 

A agência pretende criar um programa permanente para a Lua, e já avisou que haverá uma licitação própria para isso. 

"Temos de ser capazes de fornecer serviços lunares recorrentes", disse Mark Kirasich, administrador associado adjunto da divisão de Sistemas de Exploração Avançada da Nasa. 

O anúncio desta sexta-feira é um marco extraordinário para Elon Musk, que transformou a fabricante de carros elétricos Tesla na mais valiosa montadora do mundo, com valor de mercado de US$ 702 bilhões, cerca de R$ 3,9 trilhões.

Musk conseguiu tornar a si próprio um conglomerado de tecnologia, criando e controlando empresas de voos espaciais, carros elétricos, implantes neurais e perfuração de túneis subterrâneos. 

O fator que pesou na escolha da SpaceX pela Nasa foi o critério de qual é o melhor valor para o governo americano, explicou Kathy Lueders, administradora associada para Exploração Humana e Missões de Operações da Nasa. 

Em comunicado à imprensa, a Nasa disse que a nave HLS Starship, da SpaceX, que foi projetada para pousar em solo lunar, "é sustentada pelos motores Raptor, testados pela empresa e que são herança dos voos das naves Falcon e Dragon". 

A decisão da Nasa configura um revés para Jeff Bezos, um entusiasta da exploração espacial já há muito tempo, e que com o anúncio feito em fevereiro de que está deixando o cargo de CEO da Amazon, está ainda mais focado nos negócios da Blue Origin. 

O contrato com a Nasa era visto por Bezos e outros executivos como vital para que a Blue Origin conseguisse se estabelecer como uma parceira desejável para a Nasa, e também para que a empresa trilhasse o caminho da lucratividade. 

Jeff Bezos
Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon
Foto: Divulgação

Musk desenhou uma agenda ambiciosa para a SpaceX e seus foguetes reutilizáveis, o que inclui fazer com que a humanidade bote os pés em Marte. Mas, a curto prazo, o principal negócio da SpaceX tem sido o lançamento de satélites. A SpaceX disse na quarta-feira (14) que levantou US$ 1,16 bilhão (R$ 6,48 bilhões) para se capitalizar.

Em 30 de março, o protótipo de um foguete da SpaceX falhou em pousar com segurança depois de um teste de lançamento a partir de Boca Chica, no estado americano do Texas. O Starship foi um de uma série de protótipos de foguetes de carga pesada que está sendo desenvolvida para transportar humanos e 100 toneladas de carga em futuras missões à Lua e a Marte. 

Um primeiro voo na órbita de uma nave Starship está marcado para acontecer até o fim de 2021.