Acessório em assentos de avião pode ajudar a manter distanciamento social


Francesca Street, da CNN
13 de maio de 2020 às 14:31 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 11:06
Florian Barjot projetou o conceito de interior de aviões chamado PlanBay

O engenheiro aeronáutico francês Florian Barjot projetou o conceito de interior de aviões chamado PlanBay

Foto: Divulgação/Florian Barjot

Ninguém sabe ao certo como será a aviação após a pandemia do novo coronavírus. Fala-se em remover assentos intermediários, máscaras faciais obrigatórias e cabines de desinfecção de corpo inteiro nos aeroportos. Enquanto isso, os projetistas de poltronas de aviação estão testando maneiras de tornar o voo mais atraente para passageiros preocupados e conscientes.

Entre as ideias está o plano da Aviointeriors: uma fila de três assentos econômicos com o do meio voltado para o lado oposto, ou a instalação de um escudo protetor ao redor de cada poltrona.

Outra vem do engenheiro aeronáutico francês Florian Barjot e ganhou o apelido de PlanBay. Barjot acredita que as companhias aéreas não querem um redesenho total da cabine ou novos assentos, mas sim um kit facilmente removível que pode ser instalado quando necessário.

Assim como o projeto da Aviointeriors, o conceito de Barjot é voltado para os assentos da classe econômica. Ele consiste em um painel de proteção instalado atrás do assento e outro semelhante entre os poltronas.

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A estrutura se encaixa no assento do meio, que ficaria vazio, para que os passageiros no corredor e na janela possam manter distância social um do outro. Nada muito diferente da configuração do painel de vidro que muitos viajantes da classe executiva já conhecem.

Estrutura se encaixa no assento do meio, que ficaria vazio

Estrutura se encaixa no assento do meio, que ficaria vazio

Foto: Divulgação/Florian Barjot

Segundo Barjot, o processo de instalação é direto, o acessório é fácil de produzir e o custo seria baixo. Ele conta que o nome é uma brincadeira com o termo Plano B - e um trocadilho com uma ideia já apresentada pelo engenheiro francês de aeronaves experimentais, chamada EarthBay, que reimagina a área de carga dos aviões.

Interiores de aeronaves do futuro

Barjot contou à CNN que desenvolveu o conceito na mesa da sala de jantar dele durante o isolamento, enquanto os filhos brincavam ao redor.

Segundo o engenheiro, a inspiração do projeto veio da esposa, que disse que ficaria preocupada se estivesse viajando no avião com um passageiro espirrando no assento de trás. Quando o espaço entre as poltronas é pequeno, há uma tendência de que a pessoa atrás de você esteja tão próxima quanto aquela do assento ao lado.

“A ideia de um kit removível faz sentido quando a necessidade de medidas sanitárias é temporária ou limitada a uma área geográfica", explicou Barjot. Ele afirmou que conversou com fornecedores de interiores de aeronaves sobre como tornar o design uma realidade, mas não sabe se a ideia se encaixará no futuro da aviação.

No dia 5 de maio, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), que representa companhias aéreas em todo o mundo, divulgou um comunicado sugerindo que não apoiava bloquear os assentos centrais no avião. Em vez disso, a associação recomendou máscaras faciais.

O conceito do acessório é voltado para os assentos da classe econômica

O conceito do acessório é voltado para os assentos da classe econômica

Foto: Divulgação/Florian Barjot

Segundo a nota, “as evidências sugerem que o risco de transmissão a bordo de aeronaves é baixo. O uso de máscaras por passageiros e tripulantes reduzirá o risco já baixo, evitando os dramáticos aumentos de custos nas viagens aéreas que as medidas de distanciamento social a bordo trariam".

Se uma certa quantidade de assentos estiver bloqueada, os preços daqueles disponíveis provavelmente serão elevados pelas companhias aéreas. A IATA também sugeriu medição de temperatura e redução do contato a bordo como opções de proteção.

Perspectivas

A própria perspectiva do engenheiro francês sobre o assunto é que as viagens aéreas mudarão irrevogavelmente, e as expectativas das pessoas em relação a elas também serão alteradas para sempre.

“Para muitos de nós, pegar um avião é aquele momento único da sua vida em que você pode ver a Terra do alto. Em vez disso, os passageiros e o setor aéreo quiseram trazer TV e Wi-Fi a bordo e chamar isso de a melhor 'experiência do passageiro'. Agora, estamos há dois meses em casa, vendo muita TV e com Wi-Fi. Essas expectativas vão mudar?", questionou Barjot.

"Foram necessários milhões de anos para os seres humanos alcançarem o sonho de voar, e não para ficarem olhando para a TV enquanto voam. Para resumir, nosso futuro talvez seja de menos viagens, mas viagens melhores."