Relembre as viagens mais icônicas de Anthony Bourdain


Stacey Lastoe, da CNN
16 de agosto de 2020 às 05:10 | Atualizado 04 de setembro de 2020 às 08:42
Anthony Bourdain visitou o Irã em 2014 para um episódio de "Parts Unknown"

Anthony Bourdain visitou o Irã em 2014 para um episódio de "Parts Unknown"

Foto: CNN

A CNN Brasil vai exibir nesse domingo (6), às 18h30, "Anthony Bourdain", um dos programas de gastronomia e viagem de maior prestígio já produzidos na televisão mundial. Confira o episódio de estreia.

Anthony Bourdain, que morreu em 2018, não foi apenas o apresentador da premiada série da CNN “Anthony Bourdain: Parts Unknown”. Ele era o centro e o coração do programa.

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Era a estrela modesta, o produtor habilidoso, o mentor inevitável do time e o criador apaixonado. A equipe de produção sabia muito bem que Tony não se contentaria com nada medíocre. Ele desafiava as pessoas responsáveis pela série e também desafiava a si mesmo.

Bourdain não viajava para locais da moda em todo o mundo. Tampouco buscava luxo ou refeições sofisticadas nas cidades mais ricas do planeta. O que ele buscava era algo muito menos tangível e muito mais profundo. Bourdain desejava conhecer e compreender outras culturas, pessoas e lugares.

Esse desejo levou o intrépido viajante em 2014 ao Irã, um lugar que ele levou anos tentando visitar antes de ter a "entrada permitida”, e onde testemunhou uma extrema desconexão “entre o que se vê e sente do povo e o que se vê e ouve do governo”.

Sua sede de conhecimento e compreensão também o levou a West Virginia, uma região que o encantou.

“Como em qualquer outro episódio de 'Parts Unknown’, seja no Vietnã, na Nigéria ou em qualquer cidade dos Estados Unidos, esse episódio em West Virginia é um apelo pela compreensão das pessoas cujas histórias pessoais, senso de orgulho, independência e desafios assustadores merecem respeito. É um convite para se colocar no lugar do outro”, escreveu Bourdain nas anotações feitas no local para esse episódio.

Anthony Bourdain tinha jeito com as pessoas – e com as palavras. Leia trechos de suas anotações feitas em alguns de seus programas mais icônicos.

Os melhores episódios de Bourdain

Marselha, Temporada 6, Episódio 3

Tony e o chef Eric Ripert almoçam no Le Petit Nice do chef Gérald Passédat

Tony e o chef Eric Ripert almoçam no Le Petit Nice do chef Gérald Passédat, em Marselha, no episódio "Parts Unknown”

Foto: ZPZ/CNN

“Um bom número de franceses dirá em momentos de descuido que “Marselha não é a França”, querendo dizer que ela é muito árabe, muito italiana, muito corsa, muito confusa com o estrangeiro para ser verdadeira e adequadamente francesa.

Mas quem me conhece sabe que esse é exatamente o tipo de pool genético misturado no qual gosto de nadar e comer. É um cozido glorioso de cidade, com cheiro de especiarias do Oriente Médio, alho, açafrão e mar.”

Jerusalém, Temporada 2, Episódio 2

Tony e o chef Yotam Ottolenghi fazem uma refeição no Azura em Jerusalém

Tony e o chef Yotam Ottolenghi fazem uma refeição no Azura em Jerusalém

Foto: ZPZ/CNN

“É facilmente o espaço imobiliário mais controverso do mundo. E não há esperança – nenhuma – de falar sobre isso sem irritar alguém, se não todo mundo. Talvez seja por isso que demorei tanto para vir aqui, um lugar onde até os nomes das coisas comuns são ferozmente disputados.

De onde vem o falafel? Quem faz o melhor homus? É uma cerca ou um muro? Ao final deste episódio, serei visto por muitos como um simpatizante do terrorismo, uma ferramenta sionista, um judeu que se odeia, um apologista do imperialismo norte-americano, um orientalista, socialista, fascista, agente da CIA e daí pra baixo. Portanto, aqui não vai nada.”

Irã, Temporada 4, Episódio 7

Bourdain no Irã

Do Irã, Bourdain disse o seguinte: “A breve e estreita fatia do Irã que apresentamos neste episódio de 'Parts Unknown' é apenas uma parte de uma história muito mais profunda, multifacetada, muito antiga e muito complicada."

Foto: ZPZ/CNN

“Uma das razões pelas quais este episódio é extremamente confuso pode ser porque a vibração no Irã, a sensação geral de andar pelas ruas, pelos mercados, a maneira como éramos recebidos em todos os lugares por estranhos e transeuntes foi totalmente amigável...

...Este não é um mundo em preto e branco, por mais que as pessoas gostem de retratá-lo como tal. Isso não é um pedido de desculpas por nada. Só estou dizendo que esta breve e estreita fatia do Irã que apresentamos neste episódio de 'Parts Unknown' é apenas uma parte de uma história muito mais profunda, multifacetada, muito antiga e muito complicada. Como qualquer coisa tão antiga e bela quanto o Império Persa, acho que vale a pena olhar mais longe. Mas também é um lugar que pode aquecer seu coração um dia e quebrá-lo no outro.”

Hanói, Temporada 8, Episódio 2

Bourdain e o presidente dos EUA, Barack Obama

Bourdain e o presidente dos EUA, Barack Obama, fizeram uma refeição juntos em Hanói em 2016

Foto: CNN

“O que posso dizer sobre a sensação de se sentar de frente para o presidente dos Estados Unidos e beber cerveja da garrafa?

Posso dizer que Barack Obama estava – apesar da morte alguns dias antes de um alto líder do Talibã no Paquistão – muito relaxado e à vontade. Ele parecia se divertir sentado em um banquinho baixo de plástico, comendo macarrão e pedaços de porco com pauzinhos.”

O Japão de Masa, Temporada 8, Episódio 7

Viajar com o chef Masa permitiu que Tony tivesse uma “visão do Japão"

Viajar com o chef Masa permitiu que Tony tivesse uma “visão verdadeiramente diferente do Japão

Foto: ZPZ/CNN

“Masayoshi “Masa” Takayama foi criado como um "menino do interior" na comunidade agrícola rural de Nasushiobara, Japão.

...Ele poderia – como seu irmão, como muitos de seus amigos da escola – ter permanecido facilmente na cidade onde nasceu. Mas ele escolheu ir para Tóquio, onde foi aprendiz da lendária Ginza Sushiko. Em seguida, foi para Kanazawa, onde parece ter aprendido muito sobre o mundo...

...Portanto, sou muito grato por ter tido a oportunidade de voltar atrás com ele, rastreando sua educação, suas influências desde o início. Ao fazer isso, ganhei uma visão do Japão verdadeiramente diferente da que tinha antes. Comi espetacularmente bem – as refeições em família com os Takayamas, o kaiseki em Kanazawa, alguns dos melhores sushis no Ginza Sushiko e sukiyaki na montanha com os velhos amigos de Masa do colégio. É food porn no seu melhor, mas, antes de mais nada, um retrato de um artista e sua jornada.”

West Virginia, Temporada 11, Episódio 1

Anthony Bourdain viaja para o belo estado da Virgínia Ocidental

Anthony Bourdain viaja para o belo estado da Virgínia Ocidental para vivenciar a cultura e costumes locais. Na 11ª temporada de "Parts Unknown", Bourdain descobriu que se sentia muito em casa em West Virginia

Foto: ZPZ/CNN

“As colinas de West Virginia são incrivelmente belas. As pessoas que conheci lá eram infalivelmente gentis e tolerantes com minhas tendências liberais.

Embora a cultura, a paisagem, as atitudes, as tendências de voto e as crenças religiosas estivessem tão distantes das minhas quanto da Arábia Saudita, eu me sentia em casa. Fiquei encantado, tanto pelas pessoas que conheci quanto pelas pequenas cidades cobertas de névoa do condado de McDowell.”

Lower East Side, Temporada 12, Episódio 7

No episódio final da série, Bourdain retornou ao Lower East Side de Nova York

No episódio final da série, Bourdain retornou ao Lower East Side de Nova York

Foto: David Scott Holloway/CNN

“O Lower East Side foi, em muitos aspectos, o berço de Nova York, onde os recém-chegados primeiro se estabeleceram, construíram comunidades e depois foram substituídos por outros. Na cidade de Nova York dos anos 1970, quase falida e repleta de corrupção, o Lower East Side – particularmente Alphabet City – foi deixado para se virar sozinho. Grandes extensões da área foram abandonadas, arruinadas ou simplesmente esvaziadas.

Muito disso se tornou um supermercado ao ar livre para drogas. Blocos inteiros foram ocupados por gangues organizadas de traficantes. Os aluguéis eram baratos e o bairro começou a atrair um grupo de pessoas mais novo, cheio de energia e criativo que queria fazer coisas: música, poesia, cinema e arte.”

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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